A organização Human Rights Watch (HRW) instou as autoridades de justiça de El Salvador a assegurarem um julgamento rápido, aberto e justo para a advogada Ruth López, detida há exatamente um ano. López, defensora de direitos humanos e crítica do presidente Nayib Bukele, foi presa em 18 de maio de 2025 sob acusação de peculato, posteriormente alterada para enriquecimento ilícito pela Procuradoria-Geral da República.
Em comunicado, Juanita Goebertus, diretora para as Américas da HRW, afirmou: “Ruth López passou anos alertando que o presidente Bukele estava desmantelando as instituições que protegem os salvadorenhos do abuso de poder”. A organização também pede que seja permitido à advogada contato regular com sua família e advogados.
López encontra-se na Granja Penitenciária de Izalco, a 60 km da capital, aguardando a audiência de instrução prevista para junho. Seu caso permanece sob sigilo judicial, sem que as provas tenham sido apresentadas em audiência pública, segundo a HRW. A organização ressalta que “o juiz não articulou publicamente uma razão para manter o caso sob selo judicial”.
A advogada atuou na apresentação de demandas de inconstitucionalidade, relatórios de transparência e denúncias à Procuradoria sobre uso irregular de fundos estatais, além de participar de sessões da Comissão Interamericana de Direitos Humanos sobre El Salvador. Em dezembro de 2024, foi incluída pela BBC na lista das 100 mulheres mais influentes do mundo.
A HRW aponta que “o uso da detenção preventiva indefinida contra López e outros críticos do governo reflete um padrão mais amplo em El Salvador, onde sucessivas mudanças legais adotadas desde 2022 desmantelaram as garantias do devido processo, incluindo limites à detenção preventiva, e permitiram audiências massivas de centenas de acusados”. A maioria dessas medidas foi implementada sob o estado de emergência vigente desde março de 2022.