Na meditação do Evangelho segundo São João 17, 11-19, a Igreja propõe a chamada oração sacerdotal de Jesus, momento em que o Senhor revela a união profunda com o Pai e pede: “Para que sejam um como nós”. A unidade, fruto da caridade entre os apóstolos, deve ser reflexo do amor trinitário.
As consequências dessa vivência são significativas. No versículo seguinte (João 17, 21), Jesus afirma: “Que eles também sejam um em nós, para que o mundo creia que Tu me enviaste”. A união entre os discípulos torna-se condição para que o mundo creia em Cristo, não apenas por credibilidade externa, mas porque Ele veio dar a vida “pelos filhos de Deus que estavam dispersos” (João 11, 52).
O apóstolo São João, que transmite essas palavras, reforça: “Quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê”. A reflexão convida a permitir que Cristo ilumine cada relação — entre pais e filhos, cônjuges, irmãos, colegas e amigos.
San Josemaría Escrivá, fundador do Opus Dei, ensina que “amar em cristão significa querer, decidir-se em Cristo a buscar o bem das almas sem discriminação de nenhum gênero” (Amigos de Deus, 231). E acrescenta: “Se amas o Senhor, não haverá criatura que não encontre lugar em teu coração” (Via Crucis, VIII estação, ponto 5).