Paradoxos da Maternidade no Paraguai: Avanços Legais e Desafios Demográficos

O Paraguai celebra o Dia da Mãe com avanços legais significativos, como licença-maternidade de 18 semanas e proteção trabalhista, mas enfrenta queda na taxa de natalidade e alta gravidez adolescente. O artigo do Ultima Hora destaca contradições entre políticas pró-família e mudanças culturais.

Paradoxos da Maternidade no Paraguai: Avanços Legais e Desafios Demográficos
Paradoxos da Maternidade no Paraguai: Avanços Legais e Desafios Demográficos

Em 15 de maio de 2026, o Paraguai celebra simultaneamente o Dia da Pátria e o Dia da Mãe, uma data profundamente enraizada na cultura local. Segundo o jornal Ultima Hora, uma residente espanhola no país destacou a importância dada às mães paraguaias, contrastando com outros países onde o conceito de maternidade teria sido desvalorizado.

Nos últimos anos, o país implementou avanços legais significativos. A licença-maternidade foi ampliada para 18 semanas ininterruptas, podendo chegar a 24 semanas em caso de complicações de saúde do recém-nascido. A trabalhadora gestante goza de inamovilidad laboral desde o início da gestação até um ano após o parto. O período de amamentação também foi estendido: 90 minutos diários durante os primeiros seis meses, com possibilidade de prorrogação até 24 meses. Em 2026, a licença-paternidade foi reforçada, promovendo a criação compartilhada.

Apesar dessas conquistas, o Ultima Hora aponta uma contradição: a taxa de natalidade caiu drasticamente, de uma das mais altas da região para apenas dois filhos por mulher, com tendência de queda. O artigo questiona se tantos direitos trabalhistas podem desestimular a contratação de mulheres casadas ou em idade fértil.

Outro dado relevante é a gravidez adolescente: muitos partos ocorrem entre jovens de 15 a 18 anos. O texto observa que, em países com aborto legal, esses casos não chegam ao parto, dificultando comparações. No Paraguai, as uniões precoces comprometem o projeto de vida dos envolvidos.

Estatísticas recentes indicam que 37,3% das mães são casadas e 31,4% estão em união estável, totalizando cerca de 69% das crianças criadas por ambos os pais. Já as mães solteiras representam 16,3%, sinal de enfraquecimento da estrutura familiar tradicional.

O Ultima Hora também aborda a influência do antinatalismo como política pública nas últimas três décadas, impulsionado por organismos internacionais e mudanças éticas. O artigo conclui que a sociedade paraguaia deve proteger e incentivar as mães, resgatando o apoio comunitário e familiar para reverter a queda na natalidade.