Taiwan espera que a cooperação com o Paraguai em inteligência artificial (IA), incluindo um centro binacional de processamento de dados, se torne um modelo internacional. A informação foi divulgada pela agência estatal paraguaia IP após uma reunião em Taipé entre Ming-Chi Chen, vice-ministro das Relações Exteriores de Taiwan, e Miguel Ángel Aranda Daroczi, vice-ministro paraguaio de Administração e Assuntos Técnicos.
O principal projeto é o Data Center Binacional de Inteligência Artificial Paraguai–Taiwan, previsto para Chaco’i, no departamento de Presidente Hayes. Um memorando de entendimento (MOU) firmado em maio entre o Paraguai e Taiwan prevê um modelo binacional semelhante ao de Itaipu e, em sua fase final, capacidade de 1.000 megawatts (MW). O governo paraguaio apresentou o projeto como destinado a se tornar o maior centro de inteligência artificial do mundo.
As três etapas de investimento e o uso da energia de Itaipu foram detalhados posteriormente por Javier Giménez, chefe do Gabinete Civil da Presidência: 10 MW, 100 MW e 1.000 MW. As estimativas divulgadas pelo governo indicam investimento de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões na primeira etapa, de 10 MW. Giménez afirmou que uma instalação de 100 MW poderia custar cerca de USD 3,000,000,000 e uma de 1.000 MW, USD 30,000,000,000. Os valores são projeções, e não representam um investimento integral já contratado.
O plano pretende combinar a capacidade computacional taiwanesa com a disponibilidade energética paraguaia. O ministro da Indústria e Comércio, Marco Riquelme, disse que a intenção é transformar a eletricidade em serviços de processamento de dados e exportação de conhecimento, além de estimular fintechs, startups e soluções digitais para empresas e órgãos públicos. Segundo ele, as receitas permitiriam reinvestimentos em infraestrutura e geração elétrica própria.
A agenda bilateral inclui ainda o Distrito Digital de Assunção, na região do Comitê Olímpico, e o Parque Tecnológico Inteligente Taiwan-Paraguay, em Alto Paraná. O Projeto de Revitalização do Parque Industrial Taiwan, liderado por Taiwan, prevê investimento superior a US$ 6 milhões para transformar a área em um polo de tecnologia inteligente, atrair investimentos, gerar empregos e resolver problemas energéticos, combinando a demanda por mão de obra com a oferta de trabalhadores.
Na reunião em Taipé, Aranda elogiou a visão do presidente taiwanês William Lai para revitalizar o parque e desenvolver conjuntamente um centro de computação de IA.
O acordo tem peso diplomático porque o Paraguai é o único aliado oficial de Taiwan na América do Sul e um dos 12 países que mantêm relações diplomáticas com Taipé. A China considera Taiwan uma “província rebelde” e não reconhece sua independência; Taiwan também não integra a Organização das Nações Unidas.
O cronograma e o modelo econômico do data center dependem de definições sobre energia, hardware, algoritmos e comercialização dos serviços. Luis Benítez Aguilar, secretário da Sociedade Paraguaia de Inteligência Artificial, apontou esses quatro pontos como questões centrais para avaliar a execução e a escala anunciadas.
