Desabastecimento de antihipertensivos persiste em Caacupé e Cabañas

Pacientes do Hospital Regional de Caacupé e da Unidade de Saúde da Família de Cabañas denunciam a falta contínua de medicamentos para pressão arterial, como amlodipina e enalapril, sendo obrigados a comprá-los por conta própria. O diretor da Terceira Região Sanitária afirma que há estoque, mas admite que a reposição mensal pode não atender toda a demanda.

Moradores de Caacupé e da comunidade de Cabañas, no departamento de Cordillera, relatam que continuam enfrentando dificuldades para obter medicamentos essenciais para hipertensão arterial no sistema público de saúde. A paciente Laura Martínez, da Compañía Cabañas, afirmou que há cerca de um mês não consegue amlodipina na Unidade de Saúde da Família (USF) local. “Cada vez que vou, dizem que não tem. Vou ao Hospital Regional de Caacupé e também não encontro”, declarou.

Martínez destacou que a situação é preocupante porque muitos hipertensos dependem do uso diário desses fármacos. “A medicina mais cara é a que não tem. Pedimos que sejam empáticos e reponham os remédios mais rápido, porque nem todos podemos comprar do próprio bolso”, disse. Ela acrescentou que, mesmo quando há reposição na USF de Cabañas, a quantidade não é suficiente para cobrir a demanda.

O diretor da Terceira Região Sanitária, doutor Luis Gómez, afirmou que atualmente há disponibilidade de amlodipina e enalapril nos estoques regionais. Ele explicou que a reposição de medicamentos ocorre entre os dias 1 e 5 de cada mês, sendo depois distribuída para os 69 serviços de saúde dos 20 distritos de Cordillera. Gómez acrescentou que, se houver falta na USF de Cabañas, os responsáveis devem solicitar e retirar os medicamentos no Parque Sanitário.

Pacientes, no entanto, questionam a eficácia do sistema de distribuição. “Parece que repartem de forma privilegiada. Já não sabemos o que pensar nem a quem recorrer”, afirmou Martínez. A falta de fármacos para pressão arterial é um problema recorrente na região, agravado pelo estado de abandono do Hospital Regional de Caacupé, conforme denúncias anteriores.