Um caso de recusa vacinal em Presidente Franco, no departamento de Alto Paraná, acendeu o alerta das autoridades sanitárias sobre os riscos da desinformação. Um pai se negou a imunizar seus três filhos — de quatro meses, 6 e 13 anos — contra o sarampão, mesmo após a intervenção da Conselheria pelos Direitos da Criança e do Adolescente (Codeni). Em redes sociais, o homem afirmou que “prefere morrer” a permitir a aplicação de “vacinas duvidosas”.
O caso foi inicialmente reportado pela Unidade de Saúde da Família (USF) do bairro San Miguel à Codeni. O diretor da Décima Região Sanitária, Federico Schrodel, lamentou a persistência do temor em relação a uma vacina que está no mercado há mais de 40 anos e que permitiu ao Paraguai ser declarado livre do sarampão de 1998 até o ano passado, quando um surto foi registrado em San Pedro. Schrodel atribuiu o ressurgimento da doença à queda nas taxas de vacinação e à influência de movimentos antivacina.
“O sarampão é extremamente contagioso, dez vezes mais que a catapora”, afirmou Schrodel, destacando que complicações podem incluir pneumonias graves e cegueira, especialmente em crianças pequenas. Ele também alertou para a alerta epidemiológica vigente em Foz de Yguazú, no Brasil, e para o avanço de casos em estados brasileiros vizinhos.
Sergio Cetrini, titular do Programa Ampliado de Imunizações (PAI) em Alto Paraná, explicou que a campanha nacional de seguimento contra o sarampão, iniciada em 9 de março, foi estendida até 29 de maio devido à desinformação. Ele ressaltou que a recusa reiterada dos pais pode configurar omissão do dever de cuidado, e que os casos são encaminhados a outras instituições apenas após esgotadas todas as tentativas de diálogo.
Schrodel também lembrou o impacto econômico do fechamento do Puente de la Amistad durante a pandemia de Covid-19, que deixou milhares de pessoas desempregadas. “Não queremos que o sarampão se torne novamente uma ameaça para a economia e a saúde pública”, disse. Ele acrescentou que o Alto Paraná não tem infraestrutura hospitalar suficiente para enfrentar um surto, com apenas seis ou sete leitos nas salas de pediatria.
A advogada Balbina Almada, da Codeni, criticou a postura do pai, que se colocou como vítima e anunciou possíveis denúncias. Ela afirmou que ele pode ser processado por violação do dever de cuidado e, se as crianças contraírem a doença, poderá enfrentar acusações penais mais graves.