Santiago Peña apresenta relatório anual ao Partido Colorado e enfrenta críticas da oposição no Paraguai

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou seu terceiro relatório anual ao Partido Colorado, enfrentando críticas da oposição que questiona a prioridade dada ao partido em detrimento do Congresso.

Santiago Peña apresenta relatório anual ao Partido Colorado e enfrenta críticas da oposição no Paraguai
Ilustração gerada por IA.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou nesta quarta-feira seu terceiro relatório anual de gestão ao Partido Colorado, na Junta de Governo da Associação Nacional Republicana (ANR), presidida por Horacio Cartes. A sessão extraordinária, convocada para as 17h30, contou com a presença de ministros, legisladores, governadores e o vice-presidente Pedro Alliana. O único ponto da pauta foi o relatório do presidente, que abordou temas como saúde pública, educação, segurança, reforma do sistema penitenciário, transporte público e a reforma da Caja Fiscal.

Essa prática de Peña apresentar primeiro seu relatório ao partido no poder ocorre desde o início de seu mandato e antecede a apresentação constitucional obrigatória ao Congresso, marcada para 1º de julho. O presidente do Partido Colorado, Horacio Cartes, que também é mentor político de Peña, recebeu o senador Arnaldo Samaniego, que manifestou apoio à candidatura de Camilo Pérez para a prefeitura de Assunção nas eleições municipais de outubro.

No entanto, a decisão de Peña de priorizar a apresentação do relatório ao partido gerou críticas duras da oposição. A senadora Celeste Amarilla, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), classificou o governo de Peña como "medíocre" e criticou a subordinação do presidente a Cartes, afirmando que isso evidencia a fraqueza do governo. Amarilla destacou falhas em instituições como o Ministério da Educação e a persistência da corrupção em órgãos como o Instituto de Previdência Social (IPS).

A senadora Yolanda Paredes, da bancada Cruzada Nacional, anunciou que seu grupo não participará da sessão no Congresso em 1º de julho, em protesto contra o fato de Peña apresentar primeiro seu relatório ao partido antes de prestar contas ao Legislativo. Paredes afirmou que essa prática desvaloriza o papel do Parlamento e reforça a ideia de que Peña atua mais como líder partidário do que como chefe de Estado.

O senador Rafael Filizzola, do Partido Demócrata Progresista (PDP), também criticou duramente a postura de Peña, afirmando que é uma humilhação para o presidente ter que prestar contas primeiro a Cartes, que não ocupa cargo público. Para ele, isso demonstra que o poder real está fora do Palácio de López, e que Peña age como um "empregado" do ex-presidente. Filizzola ainda denunciou supostos negócios irregulares envolvendo fundos públicos, como o uso dos recursos do IPS para favorecer um banco e a aquisição de um canal de televisão por grupos ligados ao presidente, o que, segundo ele, configura tráfico de influência e enriquecimento ilícito.

Apesar das críticas, o oficialismo defende que o relatório apresentado destaca avanços em programas sociais como Hambre Cero e Che Róga Porã, além de melhorias nos indicadores econômicos e sociais, como a redução da pobreza e investimentos em infraestrutura. O governo busca com essa apresentação reforçar a continuidade da gestão e consolidar o apoio político dentro do Partido Colorado em um ano marcado por disputas eleitorais e debates sobre o futuro do país.

Fontes (20)

Atualizado: 18 de jun. de 2026, 08:28