Tomás Bogado, morador de Puerto Carrizal, no assentamento Atinguy, denunciou que, apesar dos repetidos pedidos de limpeza do rio Paraná apresentados à Entidade Binacional Yacyretá (EBY), a entidade não respondeu até o momento. A presença de algas impede o trabalho dos pescadores há vários meses, e a situação se agrava com as baixas temperaturas típicas da época.
“Não somos mendigos para que nos queiram contentar com cestas básicas; queremos trabalho e poder ganhar nosso próprio dinheiro”, afirmou Bogado. Ele destacou que a falta de atividade pesqueira impede as famílias de obter recursos para sustento, medicamentos, roupas e serviços essenciais.
Desde novembro de 2025, os pescadores apresentaram à EBY pedidos que incluem a limpeza do rio, a geração de empregos por meio de ordens de compra (OC) e a entrega de kits de alimentos – este último benefício já foi concedido ao setor. Em março deste ano, com o apoio de associações de pescadores, novas notas foram enviadas ao diretor paraguaio da EBY, Luis Benítez, reiterando os reclamos, mas, segundo Bogado, não obtiveram respostas concretas.
A comunidade de Atinguy, localizada a jusante do vertedouro Aña Cuá, enfrenta uma crise que combina a proliferação de algas e a acentuada baixa do nível do rio Paraná, agravada pelo aumento dos preços dos combustíveis, que encarece ainda mais a atividade pesqueira.