O Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2025/2026, maior estudo de empreendedorismo do mundo, com 160 mil pessoas em 53 países, revela que seis dos dez piores ecossistemas para empreender estão na América Latina e no Caribe. A região produz empreendedores em grande volume — no Chile, Guatemala e Equador, um em cada quatro adultos está iniciando ou gerenciando um negócio —, mas a taxa de sobrevivência é baixa.
“Muitos negócios estão nascendo, mas muito poucos sobrevivem o tempo suficiente para alcançar emprego duradouro, inovação e capacidade exportadora”, afirma o relatório. As causas são déficits em acesso a financiamento, eficiência regulatória e desenvolvimento de habilidades.
O Chile lidera a região com índice 4,6 (em escala de 0 a 10), ocupando a 27ª posição global. No entanto, o índice caiu em relação aos 4,9 de 2024, e dez das treze condições avaliadas pioraram. A maior queda foi em política fiscal, de 6,5 para 5,3. O país brilha em infraestrutura física (10º lugar mundial) e avançou em adoção de inteligência artificial, de 4,3 para 6,1.
O Equador, apesar de melhorar seu índice geral e subir do 50º para o 42º lugar, ocupa a 51ª posição em financiamento empreendedor. No Brasil, apenas três das treze condições superam o umbral de suficiência, e o acesso ao crédito para startups está entre os piores indicadores. O México caiu para o 43º lugar (índice 4,0), com educação empreendedora escolar na 46ª posição e dois indicadores de política pública entre os dez piores do mundo.
A Argentina registrou a única melhora sustentada da região, passando de 4,0 para 4,2 e subindo para o 39º lugar, impulsionada por facilidade de entrada no mercado (11º lugar) e educação universitária empreendedora. Ainda assim, financiamento, programas governamentais e política tributária seguem como entraves. “O capital é o gargalo”, reconhecem especialistas consultados pelo GEM.
A Costa Rica teve o pior desempenho, caindo do 43º para o 50º lugar, com índice de 3,8. Onze das treze condições pioraram, e a maior queda foi em regulação de entrada no mercado, de 4,5 para 3,8. Apenas infraestrutura física supera o mínimo. Paradoxalmente, os empreendedores costarriquenhos mostram alto compromisso com sustentabilidade (6,5) e inteligência artificial (5,9), mas operam em ambiente institucional desfavorável.
O estudo não incluiu o Paraguai. Entre as economias globais, apenas 16 das 53 cumprem condições mínimas de ecossistema, e nenhuma está na América Latina. Os Emirados Árabes Unidos lideram pelo quinto ano consecutivo, seguidos por Lituânia (3º) e sete dos dez primeiros lugares na Ásia.