Trinta fuzis FAL calibre 7,62 mm foram apreendidos neste domingo (30) em uma casa no bairro Virgen de Caacupé, em Pedro Juan Caballero, no departamento de Amambay. As armas estavam escondidas sob uma carga de mantimentos na carroceria de uma caminhonete Chevrolet S10.
A operação foi conduzida por agentes da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), em coordenação com o Ministério Público e sob direção do promotor antidrogas Celso René Morales. Os irmãos Blas Antonio Figueredo López, de 34 anos, e Freddy Alberto Figueredo López, de 43, ambos naturais de Yby Yaú, foram detidos no local.
O armamento foi encontrado durante uma busca no imóvel. Segundo a hipótese preliminar da investigação, o carregamento seria levado ao Brasil para abastecer organizações criminosas. A suspeita ainda deverá ser confirmada pelas diligências sobre a origem, os proprietários anteriores e a rota usada para transportar os fuzis.
Morales afirmou que cada arma poderia valer entre US$ 12 mil e US$ 14 mil no mercado ilegal. Nessa estimativa, o lote teria valor de US$ 360 mil a US$ 420 mil no Paraguai, antes de uma eventual entrada em território brasileiro, onde o preço poderia chegar a até três vezes mais. O promotor descreveu os fuzis como armas de alta potência, capazes de perfurar determinados tipos de blindagem.
O Ministério Público determinou que técnicos da Direção-Geral de Material Bélico (Digemabel), órgão responsável pelo controle de armamentos e materiais bélicos no Paraguai, façam a verificação técnica do arsenal em Pedro Juan Caballero nesta segunda-feira. A análise deverá ajudar a identificar a procedência e as características do material apreendido.
O caso ocorre enquanto a aplicação das regras paraguaias sobre armas também é discutida no Congresso. Representantes de comerciantes de armamentos e de empresas de segurança privada pediram à Comissão de Combate ao Narcotráfico da Câmara dos Deputados a revisão de procedimentos previstos na Lei nº 7.411/2024, que regula fabricação, importação, transporte, posse, porte e comercialização.
Os setores alegam que parte das renovações de habilitações ainda exige atendimento presencial, apesar da existência do sistema digital da Digemabel. Também questionam a suspensão temporária das autorizações de importação determinada pelo Decreto nº 3.215, de 7 de janeiro de 2025, enquanto se aguarda um mecanismo especial para essas operações. A comissão, presidida na reunião pelo deputado Francisco Petersen, pretende pedir informações oficiais à Digemabel e convocar uma mesa de trabalho. A discussão prevê simplificar trâmites sem reduzir registro, fiscalização e rastreabilidade.
