Helga Lizany Concepción Solís Gómez, sobrinha do falecido deputado Eulalio “Lalo” Gomes, entregou-se voluntariamente à Polícia em Pedro Juan Caballero e foi transferida para Assunção. A ex-assistente fiscal é investigada, junto com quatro funcionários e ex-funcionários da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), por suposta associação criminosa, tráfico de influência, frustração da persecução penal e omissão de funcionário encarregado de prevenir crimes.
Solís Gómez, de 40 anos, apresentou-se na noite de terça-feira na unidade regional do Departamento contra o Crime Organizado, acompanhada do advogado Marco Antonio López Bogarín. Ela havia sido procurada em sua residência durante uma operação realizada um dia antes. O Ministério Público pediu sua prisão preventiva; a decisão caberá ao juiz Humberto Otazú, que substitui o magistrado Osmar Legal.
A investigação nasceu da análise de mensagens extraídas do celular de Gomes e de documentos e perícias sobre comunicações institucionais. A hipótese fiscal é que Solís Gómez tenha usado os contatos construídos quando trabalhava no Ministério Público para obter informações reservadas, influenciar decisões e favorecer pessoas ligadas ao chamado clã Gomes. As acusações ainda são provisórias e deverão ser examinadas durante o processo.
Entre os episódios citados está o Operativo Sanctus, realizado em dezembro de 2023 para capturar o brasileiro Ronaldo Mendes Nunes. Segundo a Fiscalía, informações sobre a ação teriam sido vazadas, permitindo a fuga do suspeito, e posteriormente teriam sido feitas gestões para evitar que o nome de Lalo Gomes aparecesse relacionado ao caso. Também são mencionadas supostas alterações em um registro policial de 2019 e interferências em outras investigações.
Além de Solís Gómez, foram imputados Hugo Derlis Baptista Báez, ex-diretor-geral Antidrogas; Cristian Porfirio Amarilla Cabaña, ex-diretor de Inteligência; o coronel Aldo Osmar Pintos Martínez, ex-comandante das Forças Especiais; e Alicia Marlene Vázquez Samaniego, ligada à área de investigação do crime organizado. A Fiscalía sustenta que os agentes teriam fornecido dados sensíveis e ajudado a dificultar procedimentos relacionados ao narcotráfico e à lavagem de dinheiro.
Amarilla foi o primeiro dos cinco a se apresentar às autoridades. Seu advogado, Francisco de Vargas, nega que o cliente tenha trocado mensagens ou ligações com Gomes e afirma que não há vínculo direto entre os dois nos dados analisados. A defesa também contesta a prisão preventiva, ofereceu um imóvel como garantia e argumenta que o ex-diretor poderia correr risco em um presídio comum por ter participado de operações contra organizações criminosas.
O ministro da Senad, Jalil Rachid, classificou as imputações como um “golpe” contra a instituição e sua gestão. Ele afirmou que as denúncias partem de uma antiga estrutura interna e questionou a atuação do Ministério Público. Essas declarações são contestadas pela linha investigativa da Fiscalía, que atribui aos acusados uma possível rede de proteção institucional em torno de Gomes.
