Valor invisível das mães: trabalho de cuidado não remunerado equivale a 9% do PIB global, aponta análise

Em meio às celebrações do Dia das Mães no Paraguai, dados do Instituto Nacional de Estatística e uma decisão judicial inédita destacam a magnitude do trabalho de cuidado não remunerado realizado majoritariamente por mulheres. O artigo do Ultima Hora revela que 39% das mulheres são chefes de família, dedicam 61,27% do tempo a tarefas domésticas e de cuidado, e enfrentam brechas salariais e de emprego. Pela primeira vez, um tribunal considerou o 'custo de criação' para aumentar a pensão alimentícia.

No Paraguai, maio é mês de celebrar as mães e a Independência. Mas, além de poesia e flores, o Ultima Hora destaca a necessidade de reconhecer o valor real do trabalho materno, historicamente invisibilizado. Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que 39% das mulheres são chefes de família, e 37% são casadas, 31% em união e 18% solteiras. Independentemente do estado civil, são elas que arcam com o cuidado dos filhos e do lar.

A taxa combinada de subocupação e desocupação entre mulheres de 15 anos ou mais é de 11,56%, contra 6,93% dos homens. Apesar de a taxa de alfabetização feminina ser de 96,05% (contra 96,83% masculina), a renda média mensal das mulheres com 16 a 18 anos de estudo é de 4.403 mil guaranis, enquanto a dos homens chega a 5.841 mil guaranis. A maior disparidade está no tempo dedicado ao trabalho não remunerado: as mulheres dedicam 61,27% do seu tempo a tarefas domésticas e de cuidado, contra 25,26% dos homens.

O Ultima Hora cita o Fórum Econômico Mundial, que estima que o trabalho de cuidado não remunerado, se compensado, representaria 9% do PIB global (US$ 11 trilhões). Na América Latina, esse percentual varia entre 15,7% e 24,2% do PIB regional, superando a maioria das indústrias individuais. O cuidado é a base que permite que outros trabalhem, mas segue sem remuneração nem reconhecimento.

Um marco histórico ocorreu no ano passado no Paraguai: pela primeira vez, um Tribunal da Niñez e Adolescência considerou o “custo de criação” e a “perda de chance” da mãe ao cuidar do filho para aumentar o valor da pensão alimentícia paga pelo pai. O juiz Guillermo Trovato, relator do caso, explicou que o pai quase não tinha contato com a criança, deixando toda a criação a cargo da mãe. “Não é só dinheiro. O custo de criação inclui fazer dormir, ler histórias, acordar, arrumar para a escola, sentar por horas para fazer tarefas. É dedicação”, afirmou Trovato, citado pelo Ultima Hora.

O artigo conclui que, apesar das dificuldades, há motivos para esperança, e que a decisão judicial vale mais do que poemas e flores para as mães paraguaias.