ALIDE reúne record de delegados em Assunção e pede fortalecimento da banca de desenvolvimento

A 56ª Assembleia Geral da ALIDE começou em Assunção com recorde de participantes internacionais. Líderes financeiros defenderam que a banca de desenvolvimento assuma papel central para mobilizar investimentos em setores estratégicos, diante de desafios globais como desaceleração econômica e tensões comerciais.

A 56ª Assembleia Geral da Associação Latino-Americana de Instituições Financeiras para o Desenvolvimento (ALIDE) foi inaugurada nesta quarta-feira em Assunção com a maior participação de delegados estrangeiros da história do evento. Cerca de 300 participantes de mais de 90 instituições e 30 países estão reunidos até sexta-feira (22) para debater o papel estratégico da banca de desenvolvimento no novo cenário econômico global.

Na abertura, o presidente da ALIDE, Juan Cuattromo, alertou que a América Latina e o Caribe enfrentam um contexto internacional marcado por desaceleração econômica, tensões comerciais e financeiras, inflação persistente e conflitos geopolíticos que reconfiguram as cadeias globais de valor. “O que antes era volatilidade conjuntural, hoje é uma condição estrutural e um desafio ao desenvolvimento”, afirmou. Ele defendeu que a banca de desenvolvimento mobilize investimentos para setores estratégicos, financie projetos de transformação produtiva e amplie o acesso a oportunidades econômicas.

O titular do Banco Nacional de Fomento (BNF), Manuel Ochipinti, destacou o posicionamento econômico do Paraguai, que fechou o período 2022-2025 como uma das economias de maior expansão da região, com projeção de crescimento de 4,2% para este ano, segundo o Banco Central do Paraguai. Ele ressaltou avanços em setores como maquila, produção de energia limpa e exportações agroindustriais, e afirmou que a banca pública deve liderar a estruturação de instrumentos financeiros para atrair investimentos de longo prazo. “Os bancos de desenvolvimento não somos atores de última instância; somos os primeiros chamados a mobilizar recursos para onde o mercado chegaria tarde ou não chegaria”, disse.

A agenda da assembleia está organizada em três eixos: inovação, investimento e inclusão financeira. Cuattromo defendeu que inovar significa “repensar instrumentos financeiros, criar mecanismos mais eficientes de mobilização de recursos e incorporar inteligência de dados”. Sobre investimento, afirmou que o desafio é canalizar capital para setores que gerem produtividade, emprego e resiliência econômica. Quanto à inclusão, insistiu que o acesso ao crédito e aos serviços financeiros continua sendo uma dívida pendente para milhões de pessoas na região.

O ministro da Economia e Finanças do Paraguai, Óscar Lovera, e o presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo Spalding, também participaram da abertura. O evento segue com painéis, debates e encontros entre autoridades financeiras, organismos multilaterais e representantes do setor privado e acadêmico.