O desaparecimento de um ponto de jornais em Assunção: o fim de uma era

O tradicional posto de jornais de don Damião e dona Olga, localizado na Avenida Brasília, em Assunção, fechou as portas após décadas de serviço. O ABC Color relata a história como um símbolo do declínio da mídia impressa e da perda de espaços de convivência comunitária na capital paraguaia.

Como todos os domingos, o colunista do ABC Color dirigiu-se ao posto de jornais de don Damião, na Avenida Brasília, em Assunção. Mas, no último domingo, o local estava vazio. Um transeunte informou: “Parece que pararam, faz 2 ou 3 semanas que não vêm”. O desaparecimento do casal de vendedores, conhecidos como don Damião e dona Olga, marca o fim de um pequeno pedaço da cidade que, segundo o jornal, “cada dia se parece menos consigo mesma”.

Don Damião, ex-taxista que, segundo suas próprias palavras, “já não tinha mais costas nem vista” para dirigir, começou a vender jornais com a esposa. O negócio, segundo ele, permitia “salvar o dia e dar-se alguns pequenos luxos”. O posto era um ponto de encontro onde clientes faziam fila e, em dias de calor, também compravam remédios naturais que dona Olga preparava.

O ABC Color contextualiza que a digitalização e a busca por imediatismo reduziram drasticamente a circulação de jornais impressos. Os antigos “canillitas” (vendedores ambulantes) desapareceram primeiro, seguidos por postos fixos. O jornal lamenta que “antes as notícias se viviam de outra forma”, com leitura calma e discussão em família, enquanto hoje a informação é consumida rapidamente em redes sociais.

O colunista especula que don Damião e dona Olga podem ter se aposentado ou que as vendas insuficientes inviabilizaram o negócio. De qualquer forma, sua ausência é sentida como a perda de um ofício que dava identidade e proximidade humana à cidade.