O produtor agrícola Carlos Pochiñec, natural de Fram, departamento de Itapúa, ameaçou recorrer à violência após denunciar invasões recorrentes em sua propriedade rural na companhia Rincón, distrito de Borja, no departamento de Guairá. Ele cultiva arroz e chía no local e afirma que, há vários anos, animais bovinos de vizinhos invadem sua terra, causando destruição e prejuízos econômicos significativos.
Pochiñec declarou que já apresentou cerca de 50 denúncias nos últimos dois anos à Polícia Nacional e ao Ministério Público, sem obter, segundo ele, uma resposta efetiva. Em meio à frustração, fez uma grave advertência pública, afirmando que comunicou às autoridades que, se encontrar novamente as pessoas que identifica como responsáveis dentro de sua propriedade, "as matará". "Eu amanhã le encontro aos tipos na minha propriedade, le mato, assim de simples vai ser a coisa", disse o agricultor, que citou também uma dívida de dois milhões de dólares.
O produtor ainda relatou que seu irmão teria sido ameaçado com armas de fogo e obrigado a descer de um trator por indivíduos envolvidos no conflito, com o parabrisas da máquina sendo destruído. Ele acusou efetivos policiais de não intervir mesmo com viaturas nas proximidades durante o incidente, e atribuiu a falta de avanço nas investigações a uma suposta proteção política e policial aos supostos responsáveis.
O conflito na região é antigo e possui múltiplas versões. Meses atrás, a Fiscalía Especializada em Delitos Ambientais interveio na área após denúncias de moradores da companhia Rincón. Os vizinhos acusaram Pochiñec de realizar canalizações e modificações em um curso d'água que, supostamente, teriam deixado sem água um campo comunal usado para criação de gado. Técnicos do Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Mades) e do Serviço Nacional de Qualidade e Sanidade Vegetal e de Sementes (Senave) realizaram vistorias na ocasião.
Além da investigação ambiental, os mesmos vizinhos apresentaram queixas por supostos casos de abigeato, agressões e atentados contra a vida, acusações que o agricultor nega categoricamente. Pochiñec sustenta que é ele a vítima de ameaças, ataques e danos patrimoniais.
