O vice-presidente Pedro Alliana afirmou nesta sexta-feira, 11 de setembro de 2026, que continuará alinhado ao governo de Santiago Peña e defendeu cortes no Presupuesto General de la Nación 2027 para financiar reivindicações de médicos e professores. As declarações ocorreram durante o ato pelos 139 anos da Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado, no Panteão dos Heróis.
“Sou parte deste governo, com seus erros e acertos”, disse Alliana, ao responder às críticas do ex-presidente Nicanor Duarte Frutos, que havia recomendado distância dos fracassos da administração Peña. O vice-presidente afirmou que continuará apresentando reclamações e sugestões ao chefe do Executivo, inclusive publicamente: “O presidente me conhece; sabe que farei os questionamentos em privado ou em público”.
Alliana também rejeitou a ideia de uma ruptura entre Peña e Horacio Cartes, presidente da ANR e líder do movimento Honor Colorado, facção cartista do partido. Segundo ele, a legenda está fortalecida para as eleições municipais de 4 de outubro. “Há unidade na ANR”, declarou, embora tenha reconhecido a existência de reclamações e disputas internas.
Na área social, o vice-presidente concordou com a cobrança de Cartes para que a saúde pública seja uma prioridade central. Ele afirmou que o número de mamógrafos teria subido de 13 para mais de 30, que as consultas na rede pública passaram de cerca de 1,5 milhão para mais de 4 milhões e que o orçamento para medicamentos e insumos do Ministério da Saúde triplicou. As cifras foram apresentadas por Alliana, sem detalhamento documental nas declarações divulgadas.
O vice-presidente reconheceu, porém, que ainda existem reivindicações pendentes de médicos, enfermeiros e professores. Para atendê-las, defendeu a redução de despesas que classificou como supérfluas no orçamento de 2027, citando diárias e serviços de catering, além de pedir que o próprio Congresso Nacional reveja gastos.
Alliana afirmou que os cortes não podem comprometer o funcionamento das instituições. Ele criticou propostas de retirar recursos do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE), órgão responsável pela administração das eleições, sob o argumento de que isso poderia impedir a manutenção das máquinas de votação. “Então ficamos sem eleições?”, questionou.
As declarações colocam o vice-presidente no centro de duas pressões simultâneas: a necessidade de preservar a unidade do Partido Colorado antes das municipais e a tentativa de responder a mobilizações anunciadas por profissionais da saúde e da educação. Até o momento, Alliana falou em cortes e negociações, mas não apresentou uma lista de despesas nem valores reservados para os reajustes.
