Quem tenta assinar eletronicamente no Paraguai rapidamente encontra termos como assinatura eletrônica, assinatura eletrônica qualificada, F1, F2, F3, cédula com chip e Identidad Electrónica. O melhor ponto de partida, porém, não é a tecnologia, mas uma pergunta mais simples: o que você realmente quer fazer?
Resposta curta: qual solução eu preciso?
| Uso | Ponto de partida prático |
|---|---|
| Entrar no Portal Paraguay e em serviços públicos conectados | Identidad Electrónica. É a conta estatal de autenticação. Não é necessário certificado qualificado apenas para fazer login. |
| Emitir faturas eletrônicas pelo e-Kuatia’i | Certificado qualificado gratuito da Dirección Nacional de Ingresos Tributarios (DNIT), a administração tributária do Paraguai. |
| Usar e-Kuatia com software próprio | Certificado tributário qualificado de prestador autorizado. F1 é um modelo frequente para essa finalidade no mercado atual. |
| Assinar de forma qualificada arquivos em Portable Document Format (PDF), contratos ou declarações | F2 ou F3. No F2 a chave fica em dispositivo qualificado controlado pelo usuário; F3 permite assinatura remota centralizada. |
| Assinar com a cédula paraguaia com chip | Certificado F2 do Ministério do Interior armazenado no chip. |
| Usar sistema específico de órgão público ou empresa | Seguir os requisitos publicados para aquele procedimento. Nem todo sistema aceita necessariamente todos os tipos. |
Isso resolve os casos mais comuns. Ainda assim, entender F1, F2 e F3 é útil porque o tipo determina diretamente onde a chave fica, quanto tempo o certificado pode valer e quais custos recorrentes podem surgir.
Assinatura eletrônica e assinatura qualificada não são a mesma coisa
A Lei nº 6.822/2021 define assinatura eletrônica de forma ampla. Uma assinatura eletrônica não pode ter seus efeitos jurídicos ou sua admissibilidade negados apenas porque é eletrônica ou porque não cumpre os requisitos de uma assinatura qualificada.
A assinatura eletrônica qualificada, porém, tem um efeito jurídico mais forte expressamente previsto: o artigo 39 lhe atribui o mesmo efeito jurídico da assinatura manuscrita.
Isso não significa que todo negócio jurídico possa automaticamente ser realizado em forma eletrônica. Formalidades especiais previstas em outras normas continuam podendo existir.
e-Kuatia’i: a DNIT já define o caminho
Para pequenos emissores eletrônicos, a resposta é especialmente clara. A Dirección Nacional de Ingresos Tributarios (DNIT) fornece gratuitamente aos usuários do e-Kuatia’i um certificado qualificado de assinatura eletrônica.
O e-Kuatia’i é a solução gratuita de faturação eletrônica da DNIT para pequenos contribuintes com um estabelecimento e um ponto de expedição. O certificado qualificado faz parte dos requisitos para utilizar o sistema.
Quem utiliza e-Kuatia’i, portanto, não precisa escolher um prestador privado nem comprar primeiro um F1 comercial. A via prevista é o certificado gratuito da DNIT.
e-Kuatia com software próprio: obter o próprio certificado
No e-Kuatia, o caminho é diferente. Esse modelo é destinado a empresas que utilizam software próprio para enviar documentos tributários eletrônicos ao Sistema Integrado de Facturación Electrónica Nacional (SIFEN), o sistema nacional de faturação eletrônica.
Nesse caso, a DNIT exige certificado qualificado de um prestador autorizado pelo Ministério da Indústria e Comércio.
F1 aparece com frequência nesse ambiente. Segundo a política paraguaia atual de certificação, F1 é o modelo em que a chave privada fica armazenada em módulo de software. O certificado pode ter validade máxima de um ano. Uma empresa que dependa dele para faturar precisa, portanto, ter um certificado renovado ou reemitido no máximo a cada ano.
Como exemplo comercial atual, a plataforma de faturação eletrônica GOEKUA informa preço de ₲350.000 para o certificado F1 e indica expressamente renovação anual. É um exemplo de mercado, não uma tarifa estatal.
Assinar documentos em geral: a cédula com chip
Para contratos, declarações, solicitações, autorizações, formulários e outros documentos, a cédula paraguaia com chip oferece uma via concreta para assinatura qualificada.
O Ministério do Interior, por meio do Departamento de Identificaciones da Polícia Nacional, é um prestador qualificado autorizado. O certificado utilizado na cédula aparece na lista oficial de confiança como certificado F2.
Ter uma cédula com chip não significa automaticamente que o certificado já esteja instalado.
Quem já possui a cédula pode usar um leitor de smart card para verificar o certificado. O sistema deve mostrar dados como nome do titular, emissor, número de série e período de validade. Quem não possui leitor pode solicitar a verificação em Identificaciones.
Se o certificado ainda não estiver instalado, é possível solicitar sua instalação. O Portal Paraguay informa que atualmente não há custo adicional para instalá-lo em uma cédula com chip existente. Se for necessário renovar a própria cédula, aplica-se o custo normal do documento.
Ao solicitar ou renovar uma cédula com chip, o certificado deve ser pedido expressamente. Na retirada é configurado um número de identificação pessoal (PIN) de quatro dígitos, utilizado posteriormente para acionar a assinatura.
O que é necessário para assinar um PDF?
- cédula com chip e certificado qualificado ativo;
- PIN de quatro dígitos;
- computador ou notebook;
- leitor de smart card compatível;
- drivers e software necessários;
- certificados da infraestrutura de chave pública do Paraguai, a Public Key Infrastructure (PKI);
- software compatível, como Adobe Acrobat Reader ou JSignPDF.
Identificaciones oferece software para Windows, macOS e Linux, os certificados paraguaios necessários e uma guia de validação.
Como assinar um PDF com a cédula com chip
- Conectar o leitor.
- Inserir a cédula e verificar se o certificado é reconhecido.
- Abrir o PDF em software compatível.
- Escolher a função de assinatura digital ou por certificado.
- Selecionar o certificado emitido pelo Ministério do Interior.
- Salvar o documento.
- Digitar o PIN.
A imagem visível de uma assinatura no PDF não é o elemento decisivo. A assinatura real consiste em dados criptográficos vinculados ao documento.
F1, F2 e F3: por que existem três tipos?
F1, F2 e F3 não representam três níveis de validade jurídica. O número descreve principalmente como e onde a chave privada é protegida e armazenada.
| Tipo | Onde fica a chave? | Consequência prática | Validade máxima |
|---|---|---|---|
| F1 | Módulo de software | Não exige token qualificado próprio. Na política atual aparece especialmente no perfil de certificado tributário qualificado. | 1 ano |
| F2 | Dispositivo qualificado controlado pelo usuário | Normalmente smart card ou token criptográfico. A chave privada permanece nesse dispositivo. A cédula com chip é um exemplo. | até 4 anos |
| F3 | Dispositivo qualificado centralizado no prestador | O prestador protege a chave em sua infraestrutura; o usuário se autentica e assina remotamente sem leitor ou token próprio. | até 4 anos |
A política atual também diferencia o uso: para assinatura eletrônica qualificada geral são previstos F2 e F3; certificados tributários qualificados podem usar F1, F2 ou F3. Isso explica por que F1 aparece principalmente na faturação eletrônica.
F3 não tem, por isso, “mais validade jurídica” do que F2. A diferença central é quem controla o dispositivo qualificado. F1 utiliza, em vez disso, uma chave em software para o contexto tributário autorizado.
Quanto custa na prática?
Não existe um único preço. Os seguintes exemplos foram verificados em 3 de outubro de 2026:
| Via | Exemplo atual | Validade / quantidade |
|---|---|---|
| e-Kuatia’i | Gratuito pela DNIT | Para o processo previsto do e-Kuatia’i |
| F1 tributário | GOEKUA: ₲350.000 | 1 ano; depois requer renovação |
| F2 com token | Dígito/Documenta: ₲440.000 | 2 anos, assinaturas ilimitadas durante a vigência |
| F3 remoto | Dígito/Documenta: ₲440.000 | 4 anos, pacote de 50 assinaturas; é possível comprar assinaturas adicionais |
| F2 em cédula com chip existente | Instalação atualmente sem custo adicional | O leitor deve ser adquirido pelo usuário; se a cédula precisar ser renovada, aplica-se o preço normal do documento |
Os preços privados são exemplos, não tarifas oficiais. Também incluem modelos comerciais diferentes: no exemplo F2 as assinaturas são ilimitadas durante dois anos; no F3 estão incluídas 50 assinaturas.
É preciso renovar o certificado todos os anos?
Nem todos — mas F1 realmente tem validade máxima de um ano. Isso ajuda a explicar por que usuários acostumados à faturação eletrônica frequentemente pensam que todos os certificados precisam de renovação anual.
- F1: máximo de 1 ano;
- F2: máximo de 4 anos;
- F3: máximo de 4 anos.
O prestador pode emitir por período menor. O exemplo atual da Dígito/Documenta mostra isso: F2 é comercializado por dois anos, embora o limite regulatório permita quatro; F3 é oferecido por quatro anos.
A data real de vencimento deve sempre ser verificada no certificado. Empresas deveriam controlá-la como qualquer credencial essencial à operação e iniciar a renovação antes do vencimento.
Depois do vencimento, o certificado não pode gerar novas assinaturas. Para quem depende dele no SIFEN, isso pode interromper a faturação eletrônica.
O vencimento posterior não torna automaticamente inválida uma assinatura criada antes. Para a validação importa, entre outros fatores, se o certificado estava válido no momento da assinatura.
Quem pode emitir certificados qualificados?
O Ministério da Indústria e Comércio mantém a lista oficial de prestadores qualificados. Atualmente aparecem VIT S.A., CODE100 S.A., Documenta S.A., Ministério do Interior, Confirma S.A., ITTI S.A.E.C.A. e SOS Tecnología y Gestión de Información Ltda.
Nem todo prestador pode emitir todos os tipos. A lista oficial indica a habilitação para F1, F2 e/ou F3.
Como validar uma assinatura qualificada?
Uma imagem de assinatura ou um símbolo verde em um programa de PDF não constitui validação completa.
- o certificado era qualificado no momento da assinatura?
- foi emitido por prestador qualificado?
- estava válido?
- o titular corresponde ao signatário?
- o documento permaneceu íntegro?
- a assinatura foi criada mediante procedimento qualificado?
Com a cédula com chip pode ser necessário instalar no computador a cadeia de certificação paraguaia.
Quando também é útil um selo de tempo?
Nos instrumentos privados eletrônicos, a assinatura qualificada comprova a autenticidade e a identidade do signatário, mas não estabelece automaticamente uma data determinada.
Quando também é necessário comprovar o momento, pode ser relevante um selo qualificado de tempo eletrônico.
Empresas: assinatura ou selo eletrônico?
A assinatura eletrônica pertence a uma pessoa física. Para pessoas jurídicas, a lei também prevê o selo eletrônico, destinado principalmente a comprovar origem e integridade dos dados emitidos pela organização.
Um selo empresarial não substitui automaticamente uma assinatura pessoal qualificada quando esta é expressamente exigida.
O que fazer se o token for perdido, a chave comprometida ou o certificado vencer?
Vencimento e revogação são situações diferentes. O certificado vence automaticamente na data prevista. A revogação encerra sua validade antecipadamente, por exemplo após perda do token ou suspeita de comprometimento da chave.
Em caso de suspeita de uso indevido, o certificado deve ser suspenso ou revogado imediatamente. A revogação é definitiva e exige posteriormente um novo certificado.
Se apenas venceu, deve ser renovado ou reemitido. Para F1 isso ocorre regularmente devido ao limite máximo de um ano. Para F2 e F3, o ciclo real depende da validade contratada.
A regra de decisão em uma frase
Para e-Kuatia’i use o certificado gratuito da DNIT; para faturação com software próprio, F1 é um modelo tributário comum com renovação anual; F2 mantém a chave qualificada em sua cédula ou token; F3 permite assinar remotamente com a chave protegida pelo prestador. Compare preço, validade, renovação, hardware necessário e quantidade de assinaturas incluídas.
