A Auditoria Geral do Poder Executivo (AGPE) divulgou um diagnóstico contundente sobre a gestão de Jorge Brítez à frente do Instituto de Previsão Social (IPS). De aproximadamente 100 recomendações emitidas por auditorias internas e órgãos de controle, apenas duas foram implementadas — um índice de cumprimento de 2,5%. O auditor geral Alberto Cabrera classificou a situação como “falta de confiabilidade e transparência”.
Entre as irregularidades mais graves, a AGPE detectou que o IPS operava com dois sistemas de registro contábil simultâneos. Segundo Cabrera, os saldos entre eles nunca coincidiam, dificultando o controle de ativos, passivos, receitas e despesas. “Isso é uma debilidade muito grande e já começamos a duvidar, porque deve haver uma única contabilidade para que seja confiável e transparente”, afirmou.
Outro ponto crítico envolve o Parque Sanitário, depósito central de medicamentos. A auditoria constatou que o Conselho de Administração do IPS aprovava o pagamento a fornecedores com base em uma simples constância de apresentação dos produtos, sem garantia de que os medicamentos tivessem sido efetivamente entregues. Cabrera explicou que, em muitos casos, o fornecedor informava falta de espaço no depósito e retirava a mercadoria, mas ainda assim recebia o pagamento. “Nas amostras que tomamos, não encontramos nenhuma entrega”, disse.
A AGPE também apontou que a auditoria interna do IPS recomendou o pagamento de G$ 5,86 bilhões à empresa de limpeza Cevima por serviços prestados sem contrato vigente. O relatório revela que não foi utilizada a “folha de supervisão” no processo, o que enfraquece a evidência de controle sobre o trabalho do auditor. A Cevima já havia sido alvo de denúncias de direcionamento em licitações.
O IPS obteve uma calificação global de 2,42 no diagnóstico de controle interno, situando-se no nível C (“Desenhado”), o que indica normas e documentos existentes, mas com escassa aplicação efetiva. No componente “Controle da Implementação”, a nota foi de apenas 1,80. Dos 88 informes de auditoria, nenhum conta com planos de melhoria registrados no sistema da AGPE.
O novo presidente do IPS, Isaías Fretes, que assumiu em 22 de abril de 2026, anunciou medidas de reordenamento, incluindo a eliminação de 817 insumos médicos considerados prescindíveis e a atualização do vademécum de medicamentos. Fretes também prometeu uma auditoria sobre as propriedades do instituto, especialmente as 400 mil hectares no Chaco, questionando quem as aluga e a que preço. “Isso sempre foi um segredo”, declarou.
Em paralelo, a Controladoria Geral da República (CGR) notificou o ex-senador colorado Hernán Rivas para justificar supostas inconsistências patrimoniais de quase G$ 4 bilhões e mais de US$ 258 mil entre 2013 e 2015. A CGR detectou depósitos em dinheiro de alto valor, como G$ 100 milhões e G$ 111 milhões, realizados de forma sistemática, além de seis veículos não declarados e um imóvel não registrado. Rivas, que já responde a processo por suposto uso de título de advogado falso, tem 10 dias para apresentar explicações.