A forte desvalorização do dólar frente ao guarani continua a pressionar as empresas paraguaias, especialmente aquelas que recebem em dólares mas arcam com custos em moeda local. O ministro da Indústria e Comércio (MIC), Marcos Riquelme, admitiu que a queda da cotação está reduzindo a competitividade dos produtos nacionais no mercado externo.
Na abertura desta segunda-feira, o dólar era negociado a G. 6.120 no câmbio efetivo e a G. 6.096 no interbancário, acumulando uma desvalorização de aproximadamente 25% em relação ao guarani nos últimos 12 meses – uma perda de quase G. 2.000 por dólar.
“Os exportadores, como os de banana, frutas e hortaliças, as indústrias que exportam, as maquiladoras e similares estão sofrendo muito esse impacto. Embora tentem compensar os custos para manter os preços, sabemos que é complicado”, declarou Riquelme. Segundo ele, a impossibilidade de sustentar os preços acaba afetando a competitividade dos produtos paraguaios frente aos de outros mercados.
Dados do Indicador Mensal da Atividade Econômica (Imaep) mostraram um crescimento de 7,3% na atividade industrial em março, com alta acumulada de 3,2% no primeiro trimestre. Apesar do aumento da produção, o setor lamenta que os efeitos cambiais estejam corroendo margens importantes.
O ministro detalhou que as indústrias continuam crescendo por causa de compromissos com clientes que absorvem toda a produção, e que não há risco de desabastecimento. “As maquiladoras não vão fechar, mas estão perdendo muita margem por causa de uma taxa de câmbio que caiu abruptamente”, reiterou.
Em relação ao impacto na cesta básica, tema sobre o qual o presidente Santiago Peña reclamou que a queda do dólar não está se refletindo nos preços ao consumidor, Riquelme afirmou que 75% dos itens essenciais são de produção nacional e não teriam relação direta com a taxa de câmbio. No entanto, reconheceu que o país está importando inflação de produtos vindos do Brasil, onde o real também se valorizou cerca de 10%.