A forte valorização do guarani frente ao dólar, com a taxa de câmbio próxima a G. 6.000, está reduzindo a base de cálculo dos tributos sobre importações e pressionando a arrecadação da Direção Nacional de Receitas Tributárias (DNIT). O diretor Óscar Orué afirma que, embora o volume importado tenha crescido 5,2% em dólares até abril, a depreciação de 20,5% da moeda americana fez a base imponível em guarani cair 16,2%, afetando principalmente o componente aduaneiro. A DNIT mantém a projeção de receitas para 2026, apostando em reforço da fiscalização e melhor desempenho dos impostos internos para compensar as perdas.
dólar
Moneda de Estados Unidos cuya cotización afecta los precios en Paraguay.
Relatório da Cepal aponta que 89% da dívida pública do Paraguai é externa e 82% em dólar, expondo o país a riscos cambiais e fiscais, agravados pela baixa pressão tributária.
O ministro da Indústria e Comércio, Marcos Riquelme, reconheceu que a forte queda do dólar (cerca de 25% em um ano) está comprimindo as margens e a competitividade das indústrias locais, especialmente exportadores que faturam em dólares mas têm custos em guaranis. A cotação da moeda americana abriu a semana a G. 6.120 no câmbio efetivo e a G. 6.096 no interbancário.
O presidente do Centro de Importadores do Paraguai (CIP), Iván Dumot, afirmou que a queda do dólar já gerou reduções de preços em alguns setores, mas que o impacto na cesta básica é limitado devido ao predomínio de produtos nacionais no consumo das famílias de menor renda.
Apesar de indicadores macroeconômicos positivos, o crescimento setorial é dispar, com agroexportação e comércio liderando, enquanto indústria e construção avançam lentamente. O tipo de câmbio e o possível aumento do salário mínimo geram tensões.
O economista Arnold Benítez afirma que a forte queda do dólar pressiona a arrecadação e o orçamento de 2026, enquanto o atraso nos pagamentos a fornecedores gera uma cadeia de problemas que encarece o próprio Estado. Ele defende priorizar a qualidade do gasto e usar mecanismos como factoring para regularizar a dívida.
O Banco Central do Paraguai (BCP) comemora a inflação de abril em 2,3%, abaixo da meta de 4%, mas o analista Alejo García argumenta que a queda é artificial, impulsionada pela valorização de 23% do guarani frente ao dólar desde julho de 2025, e não por uma política monetária eficaz. García aponta falhas no ferramental do BCP, como a falta de operações de mercado aberto de alta frequência e a existência de um 'corredor invertido de taxas', que indicam disfuncionalidades estruturais.
A forte valorização do guarani frente ao dólar está pressionando os lucros de exportadores e setores como construção e imobiliário, levando a pedidos de intervenção e a uma reavaliação de projetos, segundo analistas e gremios.