A Câmara Paraguaia de Proprietários de Laboratórios de Análises Clínicas (CaproLab) e a Associação de Bioquímicos do Paraguai divulgaram comunicados alertando sobre os riscos de exames clínicos realizados com equipamentos portáteis sem a supervisão de profissionais bioquímicos. A preocupação surge diante da intensa promoção desses dispositivos em redes sociais, muitas vezes por influenciadores sem formação médica.
O presidente da CaproLab, Gustavo Chamorro, e a bioquímica Carmen Troche destacaram que tais práticas podem transgredir a lei que regula o exercício da profissão. “Esses equipamentos foram registrados para uso profissional, o que significa que devem ser utilizados em instalações de saúde habilitadas”, afirmou Chamorro. Ele também questionou a responsabilidade pela interpretação e validação dos resultados, especialmente quando os exames são feitos em locais improvisados, como escritórios ou cozinhas.
Os bioquímicos enfatizam que os dispositivos prometem análises rápidas sem o uso de reagentes ou insumos laboratoriais convencionais, o que aumenta as dúvidas sobre a confiabilidade dos resultados. Em nota, a associação classificou essas campanhas como enganosas, capazes de gerar uma falsa percepção sobre procedimentos que exigem validação científica e supervisão especializada.
“Esses dispositivos podem ser úteis apenas como ferramentas orientativas ou de triagem, mas não têm o mesmo alcance, precisão ou validade que uma análise feita em laboratório habilitado, com controle de qualidade, calibração adequada e validação profissional”, diz o documento.
O gremio também lembrou a vigência da Lei nº 5986/2021, que estabelece que a validação e a responsabilidade final de qualquer estudo laboratorial no país recaem exclusivamente sobre bioquímicos qualificados. As entidades instaram a população a agir com cautela e a buscar sempre laboratórios autorizados, onde os resultados passam por controles rigorosos e são interpretados por profissionais capacitados.