Em sessão ordinária realizada nesta quarta-feira (20), a Junta Municipal de Assunção devolveu ao intendente Luis Bello (ANR-HC) a proposta da Valores Casa de Bolsa SA, representante dos detentores de títulos municipais. O pleno aprovou o parecer da Comissão de Fazenda que apenas “tomou conhecimento” do documento, impedindo na prática a tentativa do Executivo de renegociar os juros vencidos.
O vereador Álvaro Grau (PPQ) classificou a proposta como “descabellada” e “loucura” financeira. Segundo ele, a empresa pretendia cobrar 10% de juros moratórios sobre os 17% já pagos pela prefeitura, elevando a taxa total a 27% – o que chamou de “um tapa na cara da cidadania”. Grau afirmou que não há qualquer acordo assinado, apenas uma oferta unilateral dos credores, e sugeriu que, se a firma recusar o pagamento nos termos legais, o valor seja depositado em cartório.
O vereador Humberto Blasco (PLRA) também condenou a proposta como “abusiva e desrespeitosa”. A oposição, que inclui Fiorella Forestieri (PLRA), Ramón Ortíz (PLRA), Rosanna Rolón (ANR-independente) e Juan José Arnold (ANR-dissidente), deixou constância de rejeição. A decisão contraria a estratégia de Bello, que havia apresentado o mecanismo como uma vitória de gestão, omitindo as condições onerosas, segundo a oposição.
Os títulos em questão foram emitidos majoritariamente na gestão do ex-intendente Óscar “Nenecho” Rodríguez (ANR-cartista). O interventor Carlos Pereira documentou que, por meio de “péssimas práticas ilegais”, Rodríguez desviou G$ 512 bilhões dos títulos G8 (2022), destinados a obras, para gastos correntes. Entre maio de 2025 e fevereiro de 2026, a prefeitura acumulou onze inadimplementos no pagamento de juros, totalizando G$ 130,369 bilhões.
Em outro front, a organização reAcción Paraguay divulgou o Ranking de Investimento Educacional (RIE), que avalia a aplicação dos recursos do Fundo Nacional de Alimentação Escolar (Fonae) – antigo Fonacide – em 17 capitais departamentais e Assunção entre 2020 e 2025. A capital paraguaia ficou em penúltimo lugar, com apenas 3,5 pontos em 100. De G$ 6,331 bilhões disponíveis para obras e equipamentos, foram executados apenas G$ 2,9 bilhões. Somente 13 das 157 escolas com maior necessidade receberam melhorias.
O pior desempenho foi de Fuerte Olimpo (1,4 pontos), sob o intendente Moisés Recalde Rolón (ANR-HC). Já Ciudad del Este lidera o ranking, com Miguel Prieto e Daniel Mujica (ambos do Conciencia Democrática Esteña), mas ainda assim não ultrapassa 50 pontos. A reAcción conclui que a má priorização e a insuficiência de recursos – dependentes quase exclusivamente da venda do excedente de Itaipu – comprometem a educação, e alerta que o plano do governo Santiago Peña de instalar um polo de inteligência artificial reduzirá ainda mais esses recursos.