Diretor do Mercado 4 nega existência de caixa paralela e desafia denunciantes a apresentarem provas

Em meio a denúncias de precandidatos a vereador sobre supostas caixas paralelas no Mercado 4 e na Estação de Ônibus de Assunção, o diretor do mercado, Alejandro Buzó, classificou as acusações como 'lendas urbanas' e afirmou que a arrecadação é totalmente transparente. Ele desafiou os denunciantes a apresentarem evidências concretas.

Um grupo de precandidatos a vereador de Assunção denunciou a existência de supostas “caixas paralelas” de arrecadação em mercados municipais e na Estação de Ônibus da capital. Segundo os denunciantes, pessoas que se passam por funcionários municipais estariam cobrando taxas que não entram nos cofres da prefeitura, mas sim financiam campanhas eleitorais de vereadores e pré-candidatos, no contexto das eleições municipais deste ano.

Ever Escalante, pré-candidato a vereador pelo movimento Colorado Añetete, da Associação Nacional Republicana (ANR, Partido Colorado), afirmou que somente no Mercado 4 seriam arrecadados cerca de 100 milhões de guaranis por dia, que seriam desviados para campanhas.

Em resposta, o diretor do Mercado 4, Alejandro Buzó, negou categoricamente a existência de caixas paralelas. Ele assegurou que todo o sistema de arrecadação é transparente, com cobranças baseadas em tributos estabelecidos e emissão de comprovantes para cada transação. Buzó classificou as denúncias como “disparates” e “lendas históricas”, argumentando que os números apresentados são irreais. “É muito difícil falar em caixa paralela quando os números estão muito distantes da realidade: esses 100 milhões de guaranis diários são absolutamente exagerados. A média de arrecadação do Mercado 4 gira em torno de 320 milhões de guaranis por mês. Estamos falando de mais de 2 bilhões de guaranis de diferença”, declarou.

Buzó acrescentou que sua gestão combate frontalmente cobranças irregulares por supostas manutenções e outros conceitos. Ele desafiou os denunciantes a apresentarem provas concretas da existência de uma caixa paralela.

Por outro lado, Leonardo Ojeda, permissionário do Mercado 4, afirmou que ainda há cobranças irregulares por parte de um grupo ligado a vereadores. Ele esclareceu que os permissionários formalizados não são afetados, mas sim aqueles instalados em locais não permitidos. “Os que pagam o canone legalmente não têm vínculo com eles, mas há pessoas em lugares indevidos que deixam trabalhar nesses locais para cobrar e não dão comprovantes”, disse.

Outros permissionários, no entanto, indicaram que a situação foi regularizada após a intervenção comandada por Carlos Pereira. Segundo eles, atualmente é pago um canone de 10 mil guaranis por cada ponto, com emissão de comprovante de legalidade. Reconheceram que antes da intervenção havia pagamentos irregulares.