Um grupo de pré-candidatos a vereador da capital paraguaia denuncia a existência de supostas “caixas paralelas” de arrecadação em mercados municipais e na Estação de Ônibus de Assunção. Segundo eles, pessoas que se identificam falsamente como funcionários municipais cobram taxas e propinas que não entram nos cofres públicos, mas são destinadas a financiar campanhas eleitorais de vereadores e candidatos nas eleições municipais deste ano.
Ever Escalante, pré-candidato a vereador pelo movimento Colorado Añetete do Partido Colorado (ANR), afirmou que esses esquemas irregulares operam em “mercados zonais”, em direções ligadas ao trânsito e em órgãos descentralizados como a Estação de Ônibus. “Isso é de conhecimento público, as pessoas sabem quem controla essas caixas paralelas”, declarou Escalante, que mencionou a existência de “áreas de influência” dentro da Prefeitura e que “há vereadores que administram lugares estratégicos onde se fazem cobranças”.
O pré-candidato estimou que, apenas no Mercado 4, o suposto esquema arrecada cerca de 100 milhões de guaranis por dia, e que no Mercado de Abasto o valor seria ainda maior, embora não tenha fornecido números exatos. Ele acrescentou que as denúncias envolvem tanto pessoas ligadas ao Partido Colorado quanto a liberais.
Escalante disse contar com “testemunhas, fotos, nomes” e gravações que sustentam as acusações e identificam os supostos funcionários envolvidos, mas admitiu que ainda busca documentos para formalizar uma denúncia junto ao Ministério Público. “Vamos abrir um canal de denúncias anônimas, para proteger os funcionários corajosos que vão nos entregar esses documentos”, afirmou.