Três pré-candidatos a vereador pela capital denunciaram um esquema de caixas paralelas nos mercados 4 e de Abasto, assim como na Estação de Ônibus de Assunção. Segundo eles, o sistema funciona há mais de oito ou dez anos e desvia recursos que deveriam ir para os cofres da Municipalidade.
Elías Fleitas, pré-candidato pela lista 7 e ex-presidente do Centro de Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Nacional de Assunção, afirmou que os fundos são usados “como ferramenta para encher os bolsos”. Ele criticou tanto o ex-prefeito Óscar “Nenecho” Rodríguez quanto o atual prefeito, Luis Bello, classificando ambos como “um desastre”, mas ressaltou que os vereadores da Junta Municipal também são responsáveis. “Ninguém sabe quem são os vereadores e nenhum deles se sente responsável pelo que está acontecendo”, declarou.
Éver Escalante, pré-candidato pela lista 6 do movimento Colorado Añetete, afirmou que sua equipe já identificou os esquemas de corrupção. Ele denunciou que, na área do Mercado 4, as arrecadações paralelas chegam a 100 milhões de guaranis por dia, cobrados de comerciantes informais. Escalante também mencionou a fiscalização de patentes comerciais e disse que “os próprios funcionários fazem a propina”.
Andrés Guerreño, também da lista 7 e ligado ao movimento de Arnaldo Samaniego, disse ter identificado um “sistema de pressão” em diversos setores da comuna. Ele afirmou que, em época eleitoral, a prática se intensifica, pois as pessoas preferem “entrar nisso para ter tranquilidade no trabalho”. Guerreño acrescentou que, muitas vezes, quem exige os pagamentos não são nem funcionários municipais, mas pessoas externas que têm “aval” dos chefes e funcionários.
Os pré-candidatos afirmaram que o esquema está “normalizado” e que a falta de controle é o principal problema. Eles pedem uma investigação e medidas para coibir a prática.