Horacio Cartes anunciou nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, Juan Carlos Baruja como o nome escolhido para a vice-presidência na chapa que teria Pedro Alliana como candidato à Presidência nas eleições gerais de 2028. A declaração foi feita durante uma reunião com dirigentes e candidatos de Paraguarí na sede da Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado.
A indicação, porém, ainda não foi formalizada por Alliana. Em comunicado divulgado após a fala de Cartes, o vice-presidente afirmou que só definirá e anunciará seu companheiro de chapa depois do processo eleitoral municipal de 4 de outubro. “Até então, não darei nenhum nome. Desta posição não declinarei”, declarou. A divergência deixa indefinido, por enquanto, se Baruja será oficialmente confirmado.
O nome do ministro de Urbanismo, Habitação e Habitat já vinha sendo apontado como preferência de Alliana. Em julho, o vice-presidente havia dito que escolheria Baruja caso precisasse tomar uma decisão imediata, mas também pediu que o calendário para a definição fosse respeitado. Baruja foi prefeito municipal e governador de Paraguarí entre 2018 e 2023, além de ter ocupado o Ministério da Agricultura.
A escolha anunciada por Cartes enfraquece as pretensões de Raúl Latorre, presidente da Câmara dos Deputados, e César Sosa, governador de Guairá. Na noite anterior, Latorre havia recebido deputados e governadores colorados em sua residência, em Assunção. Segundo o relato sobre o encontro, a pauta incluiu a campanha municipal e o cenário de 2028. Latorre afirmou que o foco está no pleito de outubro e que “não pode haver um 2028 sem um 2026”.
O senador Silvio “Beto” Ovelar também pediu que a disputa pela chapa fosse suspensa. Ele lembrou o rompimento entre Nicanor Duarte Frutos e Luis Castiglioni antes da derrota do Partido Colorado em 2008 e disse que “não é momento de falar de chapa”. Natalicio Chase, líder da bancada do movimento Honor Colorado — a facção do Partido Colorado liderada por Cartes — afirmou que há três nomes apresentados internamente: Baruja pelos senadores, Sosa pelos governadores e Latorre pelos deputados. Segundo Chase, a decisão caberá a Alliana.
O ambiente de articulação política também apareceu na campanha municipal de Assunção. Arnoldo Wiens, do movimento Colorado Añetete, participou de um encontro de apoio a Camilo Pérez, candidato da Lista 1 à prefeitura, organizado pelo candidato a vereador Hugo Ramírez. Wiens declarou que seu setor está à disposição de Pérez e defendeu que os esforços permaneçam dentro da chapa oficial. Ele comparou promessas eleitorais não cumpridas a “janelas quebradas” que, acumuladas, destroem a confiança entre cidadãos e autoridades.
Na agenda de saúde, o governo e o Sindicato Nacional de Médicos (Sinamed) chegaram a um pré-acordo com reajustes progressivos e novas vinculações. A negociação ocorreu em meio a uma greve médica, mas as informações disponíveis não estabelecem que o acordo tenha sido consequência direta do movimento. Raúl Latorre classificou o aumento como o maior para a categoria em mais de uma década e defendeu uma reforma estrutural do sistema.
O senador oposicionista Rafael Filizzola atribuiu o entendimento à pressão sindical e disse que os médicos estavam havia 14 anos sem reconhecimento salarial. Ele também criticou mudanças no Ministério da Saúde e no Instituto de Previsão Social (IPS), entidade paraguaia responsável pela seguridade social e por serviços de saúde, alertando para o risco de a instituição ficar sem recursos para pagar aposentadorias. Chase, por sua vez, advertiu que o reajuste pode provocar uma “cascata” de reivindicações e afirmou que o Orçamento-Geral da Nação de 2027 não comporta aumentos para todos os setores sem cortes.
Sobre a Suprema Corte, Chase negou que a bancada esteja discutindo a substituição de ministros. Latorre disse desconhecer qualquer plano formal de impeachment, enquanto o deputado Alejandro Aguilera, em declaração pessoal, afirmou que há “candidatos de sobra” para um eventual processo e criticou a demora do tribunal em julgar ações de inconstitucionalidade.
