Em uma jornada institucional realizada nesta quarta-feira, 20 de maio, na Câmara dos Deputados, os parlamentares cartistas Rocío Abed e Yamil Esgaib, titulares das comissões organizadoras, demonstraram, na prática, pouco apreço pelo direito à informação e pela transparência.
O evento, intitulado “O Direito de Acesso à Informação Pública e a Transparência Governamental no Paraguai”, tinha Abed e Esgaib como principais expositores. No entanto, Abed não compareceu, alegando problemas de saúde, e enviou como representante a deputada Bettina Aguilera. Já Esgaib fez um discurso de abertura enfático e, em seguida, retirou-se do recinto, justificando compromissos anteriores.
“É importante colocar no centro do debate um pilar fundamental da República: o direito de saber. Da comissão que presido, entendemos que a justiça não se constrói apenas nos tribunais, mas cada vez que um cidadão acessa informações reais sobre como seus recursos são administrados”, declarou Esgaib durante sua fala.
A ironia, apontam críticos, é que Esgaib é um dos parlamentares que mais trata jornalistas com hostilidade e frequentemente bloqueia pedidos de informações de parlamentares de oposição na Câmara Baixa. Em sessões recentes, ele não apoiou requerimentos de transparência sobre o Instituto de Previdência Social (IPS) e outros órgãos.
Após a saída de Esgaib, também se retiraram a deputada Bettina Aguilera e o ministro da Justiça, Rodrigo Nicora, ambos alegando compromissos prévios. Clara Aquino, diretora de Transparência da Controladoria-Geral da República, enviou uma representante pelo mesmo motivo. Elida Acosta, assessora da Diretoria de Transparência da Corte Suprema de Justiça, também não compareceu.
A diretora de Direitos Humanos da Vice-Presidência, María Teresa Peralta, fez uma apresentação considerada pouco substancial, limitando-se a ler um resumo de ações já disponíveis no site da instituição. No fim, foi incluída de última hora na lista de expositores Laura Salinas, do Ministério de Tecnologias da Informação e Comunicação (Mitic).