A Câmara dos Deputados do Paraguai tem sido palco de uma obstrução sistemática a pedidos de informação relacionados ao departamento de Ñeembucú, reduto político do vice-presidente Pedro Alliana. Dados de votações recentes mostram que todas as solicitações de esclarecimentos sobre a gestão pública na região são rejeitadas ou enviadas para comissões, sem aprovação.
O departamento é representado na Câmara Baixa pela deputada Fabiana Souto (ANR), esposa do vice-presidente, e pelo deputado Diosnel Aguilera (PLRA). Enquanto Souto vota consistentemente contra os pedidos, Aguilera denuncia que há uma 'linha de comando' para barrar a transparência. 'Evidentemente, alguém baixa a linha para bloquear meus pedidos de informes. Na última sessão, por exemplo, enviaram para a Comissão pedidos sobre o estado da dívida do Estado com seus fornecedores, mas aprovaram a criação de uma comissão para acompanhar essas dívidas. É no mínimo incongruente', afirmou Aguilera.
Um dos projetos barrados foi uma declaração que insta o Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC), chefiado pela ministra Claudia Centurión, a modificar o projeto executivo da Fase B da Defesa Costeira e incluir um parque ao norte do arroio Ñeembucú, que margeie os bairros Villa Paso, San José e Guaraní, na cidade de Pilar. Aguilera questiona a oposição governista a uma medida que beneficiaria diretamente a população. 'Não se justifica de maneira alguma que os oficiais se oponham a isso, se é um pedido em favor da cidade. Assim como as reparações de estradas, tudo é barrado', declarou.
A obstrução não se limita a Ñeembucú. Recentemente, gerou polêmica uma palestra sobre transparência que seria ministrada pelos deputados cartistas Rocío Abed e Yamil Esgaib, justamente conhecidos por bloquear pedidos de informação. A situação levanta questionamentos sobre o compromisso do governo com a transparência e o controle público.