Ativistas propõem acordo interinstitucional para salvar casa histórica de Serafina Dávalos em Assunção

Um grupo de ativistas se reuniu com o presidente do Instituto de Previsão Social (IPS) para discutir a recuperação da casa de Serafina Dávalos, primeira advogada do Paraguai. O imóvel, cedido à Procuradoria-Geral da República (PGR) para restauração, nunca foi reformado e está em ruínas, com furtos de vitrais e ferragens. A proposta é um acordo entre várias instituições para transformar o local em espaço cultural.

Um grupo de mulheres ativistas se reuniu nesta terça-feira com o presidente do Instituto de Previsão Social (IPS), Isaías Fretes, para buscar uma solução conjunta que salve a casa histórica de Serafina Dávalos, primeira advogada do Paraguai e ícone do feminismo. O imóvel, localizado em Assunção e declarado patrimônio cultural nacional, encontra-se em estado de abandono e deterioração avançada.

O imóvel foi cedido pelo IPS à Procuradoria-Geral da República (PGR) no ano passado, por meio de um convênio que previa sua restauração e usufruto. No entanto, a reforma nunca foi realizada, supostamente por falta de orçamento. Diante do descumprimento, o Conselho de Administração do IPS analisou na semana passada um parecer jurídico que recomendava a rescisão do contrato, mas optou por adiar a decisão para aprofundar a análise técnica.

As ativistas, representantes de diversas organizações civis, propuseram a Fretes a formação de um acordo interinstitucional que envolva o Ministério da Mulher, a Secretaria Nacional de Cultura, o Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC), a Municipalidade de Assunção e a Oficina da Primeira Dama. “O que viemos propor ao presidente foi fazer um acordo interinstitucional para formar uma equipe que possa cuidar da restauração e também buscar um objetivo de funcionamento desta casa para a cultura, para eventos, para a pesquisa”, explicou a senadora Esperanza Martínez, que participou do encontro.

Gabriela Dávalos, sobrinha-bisneta de Serafina Dávalos, também esteve presente e defendeu que o local seja transformado em um espaço cultural, como uma biblioteca ou museu, e que o terreno é grande o suficiente para abrigar feiras e concertos. Ela lamentou o estado atual do imóvel, que sofreu furtos constantes nos últimos anos. “É muito trabalho e, quanto mais tempo passa, mais trabalho. O que buscamos em primeira instância é resguardar o terreno para que parem de roubar. Assim, pelo menos preservamos o pouco que resta, porque essa é a questão mais urgente. Recentemente, roubaram os últimos vitrais que havia; ainda há portas com entalhes e vitrais em péssimo estado, mas tudo o que já puderam roubar, até os ferros das grades, que eram torneados, levaram”, disse.

Segundo as participantes, a reunião com Fretes foi produtiva, e ele demonstrou interesse em colaborar com o projeto. A partir de agora, as ativistas iniciarão contatos com as instituições mencionadas para formalizar o acordo. A senadora Martínez afirmou que buscará recursos no Congresso para viabilizar a preservação do patrimônio.