CEJ alerta que superlotação carcerária no Paraguai agrava crise de saúde

O Centro de Estudios Judiciales lançou uma campanha alertando que a superlotação carcerária no Paraguai, onde 60% dos presos aguardam julgamento, agrava uma crise de saúde com aumento de doenças como tuberculose.

CEJ alerta que superlotação carcerária no Paraguai agrava crise de saúde

O Centro de Estudios Judiciales (CEJ), uma organização dedicada à pesquisa e promoção de políticas públicas na área de justiça e direitos humanos, lançou a campanha "A Outra Face da Prisão Preventiva". A iniciativa, financiada pela União Europeia no âmbito do projeto "Acesso à justiça e direitos humanos das pessoas privadas de liberdade", busca colocar em debate público as consequências do uso excessivo da detenção cautelar e destacar a grave crise de superlotação no sistema penitenciário paraguaio.

Dados do Ministério da Justiça referentes a 2025 revelam que 60% da população carcerária do país, o que representa mais de 11 mil pessoas, aguarda julgamento sem uma condenação definitiva. O total de internos no sistema chegou a 19.426 no ano passado, um aumento sustentado em relação aos 14.370 registrados em 2021.

A superlotação média nas penitenciárias é de 147%, com situações extremas em várias unidades. A penitenciária de Villarrica opera com uma taxa de 1.225%, abrigando 649 pessoas em um espaço projetado para apenas 53. Em San Pedro, a superlotação é de 1.047%, enquanto em Emboscada chega a 839% e em Tacumbú, 446%.

O CEJ alerta que o hacinamento agrava a prevalência e o aumento sustentado de doenças como tuberculose, HIV e sífilis nas cadeias, um ponto também destacado pelo Mecanismo Nacional de Prevenção da Tortura (MNP).

Como parte da campanha, a organização disponibilizou uma série de materiais informativos, incluindo um podcast com mini-histórias baseadas em casos reais, um kit com recomendações para a cobertura jornalística sobre justiça e direitos humanos, e uma guia cidadã sobre medidas alternativas à prisão. O objetivo é questionar o custo social de encarcerar massivamente por preconceito e visibilizar as consequências da prisão preventiva para os indivíduos e para a sociedade.

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Fontes (1)

Atualizado: 2 de ago. de 2026, 00:16