Assunção é a cidade que mais "expulsa" habitantes no Paraguai, segundo dados do Censo Nacional de População e Moradias 2022, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). A capital registrou o maior saldo migratório negativo do país, perdendo quase 65 pessoas para cada 1.000 residentes entre 2017 e 2022.
O fenômeno faz parte de uma tendência nacional em que 20,2% da população paraguaia, cerca de 1.234.699 pessoas, são migrantes internas, residindo em um departamento diferente daquele em que nasceram. O relatório associa a saída de moradores de Assunção principalmente para o departamento Central, motivada por fatores imobiliários e pela busca de novos espaços residenciais.
Além de Assunção, os departamentos de San Pedro e Ñeembucú também aparecem na lista de zonas com maior perda populacional. Em contraste, o departamento Central se mantém como o principal destino, recebendo 47,8% de todos os migrantes internos. Quando somados aqueles que escolhem Assunção como destino, apesar do saldo negativo geral, a área metropolitana concentra 55,2% dos movimentos migratórios do país.
Um dos achados mais reveladores do estudo é que a população que decide migrar apresenta, em média, melhores condições de vida do que a não migrante. Os lares chefiados por migrantes, tanto internos quanto internacionais, têm menor incidência de necessidades básicas insatisfeitas e menores níveis de superlotação. Além disso, esse grupo possui maior capital educacional, com migrantes internacionais superando em um ano de estudo, em média, aqueles que residem em seu local de nascimento.
O estudo também destaca que 28,1% da população ocupada no Paraguai é migrante, demonstrando seu peso estratégico no mercado laboral nacional. Esse fluxo constante para zonas urbanas, onde vive 80,5% dos migrantes internos, está redesenhando o mapa do país e impõe o desafio de fortalecer os serviços nas cidades receptoras, além de entender por que pontos históricos, como a capital, estão deixando de reter sua própria população.
