Economia paraguaia concentra mais de 70% da produção em cinco regiões, aponta pesquisadora do Cadep

A economia paraguai continua fortemente concentrada em poucos territórios, com cinco regiões — os departamentos Central, Assunção, Alto Paraná, Itapúa e Caaguazú — concentrando mais de 70% da produção, do emprego formal e da estrutura empresarial do país, segundo análise da pesquisadora Belén Servín, do Centro de Análise e Difusão da Economia Paraguaia (Cadep).

Economia paraguaia concentra mais de 70% da produção em cinco regiões, aponta pesquisadora do Cadep
Ilustração gerada por IA.

A economia paraguai continua fortemente concentrada em poucos territórios, com cinco regiões concentrando a maior parte do emprego formal, da produção e do desenvolvimento empresarial do país, segundo análise da economista e pesquisadora Belén Servín, do Centro de Análise e Difusão da Economia Paraguaia (Cadep).

Durante o painel "O Estado da Economia e o Desenvolvimento Econômico no Paraguai", realizado no âmbito do congresso "35 anos de democracia: Economia, Sociedade e Estado no Paraguai", Servín apresentou dados do PIB regional de 2023 que mostram o departamento Central com 28,5% do PIB nacional, Assunção com 17,1%, Alto Paraná com 15,4%, Itapúa com 6,4% e Caaguazú com 5,9%. "Isso nos sugere que mais de 70% da produção está concentrada em poucos territórios do país", destacou.

Em contrapartida, departamentos como Caazapá (1,5%), Ñeembucú (0,9%) e Alto Paraguay (0,4%) têm participações significativamente menores na economia nacional. A concentração também se reflete no mercado de trabalho: Assunção, Central e Alto Paraná registram os maiores níveis de emprego formal e taxas de informalidade inferiores à média nacional, enquanto a maioria dos demais departamentos é dominada pelo trabalho informal.

A estrutura empresarial paraguaia segue o mesmo padrão territorial. O departamento Central concentra 33% das empresas do país, Assunção reúne 21% e Alto Paraná registra 13%, acumulando aproximadamente 67% de todas as empresas existentes no Paraguai. Servín observou que a estrutura nacional se sustenta principalmente sobre micro e pequenas empresas, com participação muito reduzida de médias e grandes companhias.

A pesquisadora apresentou uma regionalização econômico-produtiva que agrupa os departamentos segundo características comuns. A região metropolitana, integrada por Assunção e Central, apresenta alto nível de desenvolvimento, elevada diversificação econômica e menores índices de vulnerabilidade social. A região agroindustrial dinâmica — formada por Alto Paraná, Itapúa, Caaguazú e Canindeyú — caracteriza-se por agricultura mecanizada, agroindústria exportadora e comércio fronteiriço, com nível de desenvolvimento entre médio e médio-alto.

Há ainda uma região fronteiriça de menor escala, composta principalmente por Amambay e Ñeembucú; a região de economias em transição, que inclui Concepción, San Pedro, Cordillera, Paraguarí, Guairá, Caazapá e Misiones, onde há maior pobreza e convivência entre sistemas produtivos tradicionais e modernos; e a região ocidental, integrada por Alto Paraguay, Boquerón e Presidente Hayes. "Embora essa zona concentre apenas cerca de 3% da população nacional, possui um importante potencial agropecuário e agroindustrial que poderia impulsionar seu desenvolvimento futuro", afirmou Servín.

Entre os departamentos com maior vulnerabilidade socioeconômica, a pesquisadora citou San Pedro, Concepción e Caazapá. Já entre os melhores posicionados em termos de coesão territorial estão Assunção, Boquerón, Central, Amambay e Presidente Hayes. Servín alertou que o PIB per capita deve ser interpretado com cautela, pois não reflete necessariamente o bem-estar da população nem a distribuição efetiva da renda, e por isso incorporou indicadores de pobreza, informalidade laboral e capital humano à sua análise.

A economista identificou quatro desafios prioritários para avançar em direção a um desenvolvimento territorial mais equilibrado: promover investimentos e atividade econômica nos territórios defasados, impulsionar maior diversificação produtiva sustentável, fortalecer setores estratégicos como a agricultura familiar, a manufatura e os serviços, e melhorar a qualidade institucional e as capacidades locais de inovação e organização social.

Fontes (1)

Atualizado: 12 de jun. de 2026, 07:12