A comunidade indígena Laguna Pato, localizada no Departamento de Presidente Hayes, na região do Chaco, voltou a denunciar o abandono estatal. O líder Nanencio Amarilla viajou até Assunção para cobrar do Instituto Paraguaio do Indígena (Indi) respostas que, segundo ele, não chegam há seis anos.
As autoridades prometeram a entrega de três motocarros para junho deste ano, mas Amarilla considera a medida insuficiente diante das necessidades das 11 aldeias que compõem a comunidade. “Só sob pressão respondem”, criticou o líder, ao apontar que os projetos de desenvolvimento local não chegam em tempo nem com a qualidade necessária.
As constantes inundações agravam a situação, tornando os caminhos internos intransitáveis e isolando as famílias. O acesso a alimentos, saúde e educação fica comprometido. A assistência alimentar da Secretaria de Emergência Nacional (SEN) também é alvo de reclamação: os kits enviados contêm apenas dois quilos por rubro, quantidade considerada insuficiente para abastecer toda a comunidade.
Além da falta de infraestrutura, os moradores enfrentam precariedade nos serviços básicos e ausência de fontes de trabalho. A luta, segundo os indígenas, não se limita à entrega de ferramentas ou víveres, mas abrange o direito ao território, ao trabalho e a uma atenção estatal efetiva.
Organizações sociais e referências indígenas vêm cobrando maior presença do Estado e políticas públicas que garantam o desenvolvimento integral dos povos originários, especialmente em áreas remotas do país.