O presidente do Congresso Nacional do Paraguai, senador Basilio "Bachi" Núñez, emitiu um comunicado oficial repudiando as declarações do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a Guerra da Tríplice Aliança. Lula afirmou, na sexta-feira, que "um bom dia, o Paraguai decidiu invadir o Brasil", ao defender maior investimento nas Forças Armadas brasileiras.
No documento, Núñez afirmou que as palavras do mandatário brasileiro geraram uma "profunda reação" no país e que a memória histórica paraguaia deve ser tratada com "respeito e sensibilidade". Ele reafirmou o compromisso do Poder Legislativo com a defesa dessa memória, que chamou de patrimônio permanente e expressão inegociável da soberania nacional.
A reação do Congresso se soma a uma série de críticas de políticos e ex-diplomatas paraguaios. O ex-chanceler Euclides Acevedo classificou as declarações de Lula como uma "torpeza política" e um grave desconhecimento da história, estranhando o silêncio do Ministério das Relações Exteriores do Paraguai sobre o caso.
A senadora liberal Celeste Amarilla foi uma das mais contundentes, sugerindo que as palavras de Lula poderiam refletir "alguma demência" e afirmando que "o esquerdismo não tira a burrice que ele tem". Ela pediu que o Brasil abra seus arquivos históricos, que guardam documentos paraguaios tomados durante a guerra, para uma revisão dos fatos.
Até mesmo setores tradicionalmente alinhados com o progressismo regional se manifestaram. O Frente Guasu, concertação de esquerda, emitiu comunicado rejeitando as declarações de Lula e, ao mesmo tempo, criticando o "silêncio e a repudiável inação" do presidente paraguaio, Santiago Peña. O grupo também exigiu a devolução dos troféus de guerra que permanecem no Brasil.
Dentro do governista Partido Colorado (ANR), o senador Silvio Ovelar, que se declarou admirador de Lula, disse que o presidente brasileiro "cometeu um deslize" e estranhou a falta de pronunciamento da Chancelaria paraguaia.
O ex-embaixador Nelson Mora qualificou as falas de Lula como uma "falta de respeito" e um "desaire muito grande", destacando o momento de relativa tranquilidade regional em que ocorreram. Enquanto isso, o líder político e presidente do Movimento Campesino Paraguayo, Belarmino Balbuena, ofereceu uma visão atípica, sugerindo que as declarações de Lula foram "provocadas" pela política externa paraguaia, que estaria excessivamente alinhada aos Estados Unidos.
Até o momento, o governo do presidente Santiago Peña, por meio do Ministério das Relações Exteriores, não se pronunciou oficialmente sobre o caso, o que tem sido alvo de questionamentos por parte de legisladores da oposição e até de aliados.
