Parlamentares e cidadãos paraguaios repudiam declarações de Lula sobre Guerra da Tríplice Aliança

Parlamentares paraguaios, uma advogada neta de ex-combatente e o senador brasileiro Flávio Bolsonaro repudiam as declarações do presidente Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança, que foram consideradas uma distorção histórica.

Parlamentares e cidadãos paraguaios repudiam declarações de Lula sobre Guerra da Tríplice Aliança
Ilustração gerada por IA.

O presidente da Câmara de Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, criticou duramente o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, por declarações sobre a Guerra da Tríplice Aliança. Durante um ato político, Lula justificou o aumento dos gastos militares brasileiros afirmando que "um belo dia, o Paraguai decidiu invadir o Brasil", referindo-se ao conflito que ocorreu entre 1864 e 1870.

Em resposta publicada nas redes sociais, Latorre acusou Lula de falar "com demasiada leviandade da maior tragédia de nossa história e do maior genocídio de nosso continente". O parlamentar lembrou que a guerra, que teve início com a intervenção militar do Brasil no Uruguai, deixou o Paraguai devastado e marcou para sempre o país. Ele também destacou o heroísmo das mulheres paraguaias na reconstrução nacional, citando o papa Francisco, que as chamou de "as mulheres mais gloriosas da América".

Latorre ainda questionou o tom do presidente brasileiro ao tratar de conflitos armados, relembrando uma declaração anterior de Lula sobre resolver a guerra entre Rússia e Ucrânia "com uma cervejinha". "Hoje voltas a falar com leviandade de conflitos armados na América; se te acabaram as jabuticabas, podemos te enviar algumas", ironizou o deputado, finalizando com a reflexão: "Nós conhecemos o verdadeiro valor da paz, porque a pagamos com nosso sangue".

Outros parlamentares se manifestaram em apoio a Latorre. O deputado colorado Rodrigo Gamarra defendeu que a integração regional deve ser construída sobre a verdade e o respeito mútuo, e não sobre relatos parciais. Já o deputado de oposição Rubén Rubin repudiou as falas de Lula e anunciou que apresentará um projeto para incluir no calendário nacional a comemoração da assinatura do Tratado da Tríplice Aliança, além de exigir a devolução dos troféus de guerra mantidos pelo Brasil.

Enquanto isso, a advogada Cecilia Pérez Rivas, neta de um ex-combatente da Guerra do Chaco, criticou a falta de uma resposta oficial do governo paraguaio. Em um comunicado, ela questionou o "silêncio total" do Ministério das Relações Exteriores e de outras autoridades, contrastando-o com a retórica patriótica frequentemente utilizada pelo oficialismo. "Nossos heróis caídos não morreram para adornar um discurso de posse nem uma pintura de avião. Morreram defendendo uma soberania que hoje, quando realmente é preciso defendê-la, não encontra quem a represente", afirmou.

O senador brasileiro Flávio Bolsonaro, candidato à presidência nas eleições de outubro de 2026, também se manifestou sobre o caso, defendendo uma postura mais firme do governo paraguaio e classificando as declarações de Lula como uma distorção histórica.

Fontes (5)

Atualizado: 27 de jul. de 2026, 01:43