A construção empregava mais de 262 mil pessoas no Paraguai no segundo trimestre de 2026, com crescimento anual de 9,1% — o maior entre os setores da economia no período. O número equivale a 8% da população ocupada do país, acima da média histórica de 7,8%.
Os dados fazem parte do Informe de Atividade Econômica na Construção – agosto de 2026, elaborado pelo Centro de Estudos Econômicos da Câmara Paraguaia da Indústria da Construção (CEEC-Capaco). O levantamento também aponta alta de 17,6% na renda média dos trabalhadores do setor, que chegou a 3,5 milhões de guaranis por mês.
O desempenho do emprego, porém, ocorre em um ambiente de pressão sobre a execução dos investimentos públicos. No Rubro 520, que reúne as obras públicas da Administração Central, haviam sido executados 51,7% dos recursos previstos: US$ 359 milhões. Entre janeiro e julho, o desembolso médio foi de US$ 51 milhões por mês.
Para aplicar os US$ 336 milhões ainda disponíveis até o fim do ano, o Estado precisaria elevar esse ritmo para US$ 67 milhões mensais — US$ 16 milhões acima da média registrada no período analisado. O cálculo indica que a geração de empregos depende não apenas da existência de projetos, mas também da capacidade de licitá-los, financiá-los e executá-los dentro do calendário orçamentário.
Considerando o conjunto das obras públicas incluídas no Orçamento Geral da Nação de 2026, a execução alcançou 34,5% na primeira semana de agosto, ou US$ 442 milhões de um total de US$ 1,281 bilhão. Restavam US$ 840 milhões, e a velocidade de execução teria de ser 2,7 vezes maior que a média mensal observada até então, de US$ 63 milhões.
A Capaco sustenta que a expansão do setor impulsiona o consumo e a atividade econômica, mas defende um planejamento financeiro mais previsível para manter licitações e investimentos em infraestrutura. Os números apresentados são uma análise do próprio centro de estudos do sindicato empresarial; a evolução efetiva dependerá dos desembolsos públicos e da conclusão dos projetos nos meses restantes de 2026.
