A dívida do Estado paraguai com empresas de construção voltou a atingir US$ 300 milhões, segundo o presidente da Cámara Paraguaya de la Construcción (Capaco), José Luis Heisecke. Ele afirmou que o montante se manteve mesmo após pagamentos realizados em abril e maio.
Heisecke criticou o sistema de factoraje apresentado pelo Ministério de Economía y Finanzas (MEF) como alternativa para dar liquidez ao setor. Segundo ele, a regulamentação atual é inviável porque as instituições financeiras descontam entre 21% e 24% em juros no momento da operação. "Se esta ferramenta não for praticada, vamos deixar de cobrar e todos sabem qual será o final. Esperamos que isso não aconteça", declarou à rádio Monumental 1080AM.
A Capaco e a Cámara Vial Paraguaya (Cavialpa) rejeitaram a proposta de factoring, argumentando que o mecanismo transfere o custo financeiro do atraso estatal diretamente para o setor privado. As entidades afirmam que as condições impostas tornam o sistema inaplicável.
Heisecke descartou o aumento de impostos como solução, alegando que isso não garante maior eficiência do Estado. "Temos que melhorar a qualidade do gasto, e aí se entra em uma briga complexa. Ou se aumentam os impostos ou se eleva o teto fiscal, mas quem garante um melhor gasto público?", questionou. Ele lembrou que o Paraguai está entre os últimos lugares em qualidade de infraestrutura na região.
Para o economista Sergio Sapena, os atrasos nos desembolsos aos fornecedores do Estado estão ligados a uma estratégia do MEF para manter o déficit fiscal dentro do compromisso de 1,5% do PIB. Ele considerou injusta a regulamentação do factoraje para as empresas e sugeriu a elevação do teto fiscal.