Faltaria apenas um voto para que a Corte Suprema de Justiça resolva a ação de inconstitucionalidade apresentada por Kattya González, ex-senadora destituída em 14 de fevereiro de 2024 por uma manobra do cartismo. O ministro César Diesel seria o último a se pronunciar, segundo informações obtidas pela radio Monumental 1080 AM.
O ministro Víctor Ríos, também membro da máxima instância judicial, comentou o caso sem dar detalhes precisos. “Duas ou uma pessoa são as que faltam, seguramente, emitir o voto em rascunho e depois isso precisa ser transcrito de forma definitiva para a assinatura final”, afirmou.
Kattya González já apresentou nove pedidos de urgência para que seu caso seja analisado. Apesar disso, demonstrou ceticismo quanto a uma decisão favorável. “Uma justiça que chega tarde não é reparadora. O que o Senado me roubou, o que o cartismo me roubou, a Corte já não vai poder me devolver hoje”, declarou.
A ex-parlamentar criticou a demora e questionou a atuação do Judiciário. “Não vejo questões virtuosas e me desculpem o ceticismo, porque há tantas coisas que a Justiça nos deve, que hoje não abre investigações que deveria abrir, que hoje dispõe de impunidade que convém politicamente”, acrescentou.
González afirmou ter dificuldade em acreditar que uma eventual decisão favorável represente um ato de reparação da violência institucional cometida. “É como se estivessem descomprimindo quando o desprestígio é total, quando é época eleitoral”, apontou.
Sobre um possível retorno ao Senado, explicou que, se a Corte anular a decisão que a afastou, as coisas voltariam ao estado imediatamente anterior a 14 de fevereiro de 2024. “Significa que esta servidora era senadora. Eu já não precisarei prestar juramento, nem contar com a permissão de ninguém para voltar ao meu lugar na Câmara de Senadores, além de alguns procedimentos administrativos para que me incorporem novamente”, detalhou.
Em relação a Ignacio Iramain Chilavert, que assumiu a vaga, González afirmou que ele também defende que ela deve retornar à sua cadeira. “Eu nem sequer vou ter um conflito com quem hoje ocupa essa vaga. Então, eu me sentaria ali e muitas coisas podem acontecer. Em primeiro lugar, desde me desalojarem do Congresso pela força policial. Por isso digo que o que a Corte disser na parte resolutiva é importante demais”, explicou.
Caso retome o mandato, a ex-senadora prometeu intensificar a oposição. “Redobro a aposta e que se preparem, que pense bem esse cartismo narcomafioso que nos governa e que hoje pretende anular a crítica, a cidadania, as questões que apontam a política como ferramenta de serviço ao bem comum”, advertiu. Acrescentou ainda: “O cargo não me tira o sono, que se preparem esses cartistas que hoje pretendem usar o Estado como butim político”.
A destituição de Kattya González ocorreu em uma sessão de cerca de quatro horas, na qual o cartismo conseguiu expulsar uma das principais legisladoras da oposição com 23 votos. Para viabilizar a perda de investidura, o bloco oficialista alterou as regras internas: em dezembro de 2023 havia fixado um mínimo de 30 votos, mas dois meses depois reduziu a exigência para apenas 23.