O crédito ao consumo no Paraguai atingiu US$ 6,02 bilhões em julho, um crescimento de 25% em relação ao mesmo período de 2025, representando 19% da carteira total de empréstimos bancários. O financiamento com cartões de crédito cresceu 31,4%, alcançando G. 7,1 trilhões, enquanto a taxa de inadimplência no segmento subiu para 5,3%.
As linhas de crédito de menor valor, de até G. 3 milhões, registram o maior crescimento (50%) e a maior taxa de morosidade (7,2%), indicando que muitos paraguaios estão usando crédito para despesas básicas. O Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu alertas sobre riscos de superendividamento, especialmente entre populações mais vulneráveis, mas o Banco Central do Paraguai atribui o crescimento à maior inclusão financeira e expansão econômica.
Paralelamente, o comércio eletrônico vive uma expansão significativa. Projeções apresentadas no Pay Meeting, evento da Câmara Paraguaia de Meios de Pagamento (CPMP), indicam que o setor deve superar 40 milhões de transações em 2026, um aumento de nove vezes em relação a 2022, com volume financeiro projetado de US$ 662 milhões. Cartões de crédito lideram como meio de pagamento, seguidos por débito.
Amanda Rojas, country manager da Fenicio, empresa de plataformas de e-commerce, afirmou que o setor cresce 23% ao ano e movimentou cerca de US$ 2 bilhões em 2025, com oito em cada dez compras sendo feitas em lojas locais. Ela destacou que o consumidor paraguaio está mais exigente e busca experiências digitais equivalentes às físicas.
Após um período de intenso crescimento, a emissão de cartões de crédito desacelerou levemente, com 2.537.405 unidades em circulação em julho, número ligeiramente inferior ao de junho. No entanto, a dívida total dos cartões continua em expansão, atingindo G. 6,73 trilhões em julho, um aumento de 28,1% em relação ao mesmo mês de 2025.
Enquanto isso, a ausência do PayPal no mercado paraguaio segue como ponto de discussão no setor de tecnologia e pagamentos. Joaquín Morínigo, fundador da CriptoPy, afirmou que o país não precisa da plataforma, citando altas comissões e suporte deficiente, e apontou alternativas como Meru e UglyCash para transações internacionais. Andrea Vronik, diretora de Inovação da Câmara Paraguaia da Indústria de Software (Cisoft), confirmou que a PayPal nunca manifestou interesse oficial em operar no Paraguai, e que profissionais de fintech já se adaptaram a outras opções.
