A Corte Suprema de Justicia do Paraguai admitiu que não possui registro da escolaridade de María Verónica Lina Sienra Bertón, diretora-geral de Garantias Constitucionais do Poder Judicial, mas mesmo assim ela recebe um salário superior a 22 milhões de guaranis mensais. Sienra Bertón é esposa do ministro da Corte, Luis María Benítez Riera.
A informação foi revelada em resposta a um pedido de informação pública feito através da Direção de Transparência do Poder Judicial. A Corte explicou que, como a escolaridade da funcionária não estava registrada no Sistema de Legajos, o campo "Profissão" em um arquivo gerado automaticamente para o sistema SICCA ficou vazio. Para que o arquivo pudesse ser processado com sucesso, o campo foi preenchido e, "devido a um erro material involuntário", foi consignado como "Universitário". A Corte reiterou que a informação sobre sua formação não consta nos registros oficiais.
A consulta foi motivada por uma discrepância: na declaração prestada à Controladoria Geral da República, Sienra Bertón informou ter grau acadêmico de nível secundário, enquanto no Poder Judicial constava a profissão como "Universitário".
O caso gerou fortes reações de entidades de classe e juristas. O advogado constitucionalista Hugo Estigarribia qualificou a situação como "escandalosa" e afirmou que se impõe a imediata destituição da funcionária e o julgamento político dos ministros que avaliam essa irregularidade. Ele argumentou que não foi cumprido o requisito constitucional de idoneidade para o exercício do cargo, estabelecido no Artigo 47 da Constituição Nacional, em uma função considerada chave.
A presidente do Colégio de Advogados de Alto Paraná, Nidia Silvero de Prieto, comparou o caso ao do ex-ministro Hernán Rivas, envolvido em polêmicas anteriores, e o chamou de "vergonhoso", questionando publicamente a permanência de Sienra Bertón no cargo.
Outros profissionais também criticaram a nomeação. O advogado Juan Sosa Bareiro afirmou que a designação e a permanência da esposa de um ministro em um alto cargo representam, "no mínimo, uma falta ética". Ele questionou a necessidade de tal nomeação quando existem funcionários de carreira com muitos anos de serviço e formação adequada, inclusive no exterior, que poderiam ocupar o posto.
Até o momento, apesar das críticas públicas e dos pedidos de providências, a diretora-geral permanece no cargo e os ministros da Corte não se manifestaram para tomar medidas corretivas, o que amplia as críticas sobre a gestão de recursos humanos e os critérios éticos dentro do Poder Judicial.
