O déficit da Caja Fiscal, o fundo de previdência do setor público paraguaio, atingiu 1,31 trilhão de guaranis (cerca de US$ 216 milhões) no primeiro semestre de 2026. Os dados divulgados pelo Ministério da Economia e Finanças (MEF) mostram que as despesas com o pagamento de aposentadorias e pensões totalizaram 3,15 trilhões de guaranis, enquanto as receitas provenientes de contribuições somaram apenas 1,83 trilhão de guaranis.
A diferença negativa de 42% entre entradas e saídas é financiada mensalmente com recursos do Tesouro Nacional, ou seja, com impostos. Diariamente, o déficit gerado é de aproximadamente US$ 1,2 milhão. Em comparação com o mesmo período de 2025, o saldo negativo em moeda local cresceu 7%, mas, devido à desvalorização do guarani frente ao dólar, o valor em dólares aumentou 41%.
O sistema é administrado pela Direção Geral de Jubilações e Pensões do MEF, que possui 242.141 funcionários ativos contribuintes, 73.080 aposentados e 12.481 pensionistas registrados. Os setores que mais contribuíram para o déficit foram os militares, com uma diferença de 71% entre contribuições e benefícios pagos, seguidos pela polícia (59%) e pelos professores (46%). O segmento docente foi responsável por quase metade do resultado deficitário do semestre.
Para enfrentar o problema, o presidente Santiago Peña sancionou em março a Lei 7633, uma reforma do sistema. No entanto, a legislação aprovada é considerada uma solução paliativa, já que o projeto original do Executivo foi modificado no Congresso sob pressão de grupos de docentes. A reforma aprovada deve reduzir o déficit em cerca de 40% ao longo do tempo, abaixo dos 60% inicialmente planejados pelo governo.
