O gasto com salários na Administração Central do Paraguai cresceu 8,3% em termos interanuais até maio de 2026, alcançando 9,75 bilhões de guaranis (cerca de US$ 1,598 bilhão) no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, segundo o relatório Situfin, divulgado pelo Ministério de Economía y Finanças (MEF).
Os dados mostram que as remunerações dos servidores públicos já representam 53% da arrecadação do fisco. De cada 100 guaranis recolhidos, cerca de 53 vão para pagamento de salários, dos quais 80% estão concentrados em saúde, educação e segurança.
As despesas totais da Administração Central somaram 24,014 bilhões de guaranis até maio, alta de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as receitas chegaram a 23,03 bilhões de guaranis, avanço de apenas 1,2%.
O MEF apontou que o crescimento do gasto salarial foi puxado principalmente pelo Ministério de Saúde Pública, pelo Ministério de Educación y Ciencias, pelo Ministério del Interior e pelo Poder Judicial, tanto por reajustes do salário mínimo quanto por ampliação de quadros.
A despesa mensal com salários foi aumentando gradualmente ao longo do ano: de 1,86 bilhão de guaranis em janeiro para 1,99 bilhão em maio.
Paralelamente, as prestações sociais tiveram alta ainda maior. O governo destinou 4,90 bilhões de guaranis (US$ 803 milhões) a esses pagamentos até maio, crescimento de 17% em relação ao ano anterior, o que representa cerca de 31% da receita tributária.
O incremento foi impulsionado por programas como Hambre Cero, Adultos Mayores, Tekoporã e pensões contributivas. Somente com aposentadorias do setor público e pensões, o Tesouro desembolsou 2,62 bilhões de guaranis (US$ 431 milhões) até maio.
A Caja Fiscal, que administra as aposentadorias e pensões de parte dos servidores públicos, acumulou déficit de 1,11 bilhão de guaranis (US$ 182 milhões) no período, valor coberto em sua maior parte por recursos do Tesouro Nacional.
O cenário de pressão sobre as contas públicas levou o governo a anunciar medidas de austeridade com economia estimada em US$ 262 milhões, em um contexto que o próprio MEF classifica como "economia de guerra", pela queda nos ingressos.
