Deputado questiona voto de colega que incluiu fiscal Aldo Cantero em lista para juiz em Assunção

O deputado independente Raúl Benítez criticou duramente o colega Édgar Olmedo, representante da Câmara no Conselho da Magistratura, por ter votado a favor do fiscal Aldo Cantero na terna para juiz penal de Assunção, em detrimento do fiscal Deny Yoon Pak, que liderou a investigação do caso A Ultranza Py. Benítez chamou Cantero de "sicário alugado" e pediu explicações sobre o voto.

O deputado Raúl Benítez (independente) subiu à tribuna nesta terça-feira para cobrar explicações do colega Édgar Olmedo, representante da Câmara de Deputados no Conselho da Magistratura (CM), por ter votado a favor da inclusão do fiscal Aldo Cantero na terna para juiz penal de Assunção. Cantero é alvo de controvérsia devido à divulgação de mensagens em que o advogado de Horacio Cartes, Pedro Ovelar, supostamente lhe ordenava diligências.

“Quero entender como se pode sustentar o voto a um magistrado comprado, alugado, cujos chats vazaram mostrando o advogado de Horacio Cartes ordenando como abrir uma pasta fiscal”, afirmou Benítez. Ele classificou Cantero como “sicário alugado” e disse que o voto de Olmedo mancha a imagem da Câmara, já que o deputado age em nome do colegiado, não de forma pessoal.

Benítez também questionou por que Olmedo não apoiou o fiscal Deny Yoon Pak, responsável por investigações emblemáticas como o caso A Ultranza Py e a prisão do ex-senador Erico Galeano. “Neste país não se premia quem faz o trabalho, premia-se quem segue ordens. Castiga-se magistrados como Deny Yoon Pak e premia-se rasteiros como Aldo Cantero”, disparou.

Em resposta, Olmedo afirmou que Cantero não possui impedimento legal para integrar a terna e que seu legajo estava “impecável”. Disse que não defenderia Cantero, mas que se baseou nas normas. Olmedo ignorou o questionamento sobre a exclusão de Yoon Pak.

A terna, divulgada em 11 de maio, inclui Aldo Rodrigo Cantero Colmán (sete votos), Osvaldo Ariel Prates Grassi (sete votos) e Eladio Tomás Cubilla Yahari (cinco votos). A proposta partiu do presidente do CM, Gerardo Bobadilla, e foi apoiada por Alicia Pucheta, Enrique Berni, César Ruffinelli, Gustavo Miranda, o senador Édgar López e o próprio Olmedo.