Em uma decisão que provocou forte reação entre juristas e setores da sociedade civil, o Conselho da Magistratura do Paraguai optou por incluir o promotor Aldo Cantero na lista de candidatos a juiz, em detrimento de Deny Yoon Pak, promotor que liderou a operação A Ultranza, que desmantelou uma rede internacional de narcotráfico. A votação, ocorrida em 16 de maio de 2026, resultou em sete votos favoráveis a Cantero e apenas um a Pak, do conselheiro Luis María Benítez Riera.
Cantero, apelidado de 'Aldo Canta 50' após a divulgação de áudios em que supostamente recebia instruções do advogado Raúl Fernández Lippmann para acusar membros do governo anterior, acumula uma série de controvérsias. Ele foi afastado de investigações, mas nunca teve o celular apreendido, e também pediu o arquivamento de denúncia contra o ex-senador Hernán Rivas por uso de título falso — pedido posteriormente anulado por um promotor adjunto. Além disso, Cantero acusou a sindicalista Carolina Palacios por denunciar o procurador-geral Emiliano Rolón e responde a um processo por violência doméstica.
Pak, por outro lado, é descrito como um promotor independente e corajoso, que não hesitou em processar o ex-senador Erico Galeano, ligado ao ex-presidente Horacio Cartes, e que não foi alvo de ataques de setores políticos. Sua exclusão foi vista como um sinal de que o Conselho da Magistratura, órgão responsável por selecionar juízes, opera como instrumento de proteção política e tráfico de influência.
A advogada Cecilia Pérez classificou a decisão como 'uma das páginas mais vergonhosas' do Conselho. A proposta de Cantero foi apresentada pelo presidente do órgão, Gerardo Bobadilla, e apoiada por Alicia Pucheta, Enrique Berni, César Ruffinelli, Gustavo Miranda, o deputado Édgar Olmedo e o senador Édgar López.
Críticos apontam que a escolha revela que a carreira judicial no Paraguai depende menos de mérito e independência e mais da capacidade de obedecer a ordens políticas. 'O Conselho acaba de demonstrar, com uma honestidade brutal, que o Poder Judicial está tão corrompido que pode dizer à opinião pública: fazemos o que bem entendemos', afirmou um analista ouvido pela reportagem.
Nota: Este artigo é baseado em uma única coluna de opinião e as alegações não foram verificadas de forma independente.