Em meio a pedidos de suspensão das eleições internas partidárias, os deputados colorados Daniel Centurión (Añetete) e Alejandro Aguilera (Honor Colorado) manifestaram-se contra qualquer adiamento do pleito de 7 de junho. Ambos concordam com a realização de uma nova auditoria das máquinas de votação, mas condicionam a medida à decisão da Justiça Eleitoral.
Centurión, da dissidência colorada, defendeu a credibilidade do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE) e criticou o Tribunal Eleitoral Independente (TEI) da ANR por supostamente não ter garantido a participação de todas as agremiações na auditoria de fevereiro. “Hemos ganado e hemos perdido eleições, mas sempre terminamos felicitando o processo liderado pelo TSJE”, afirmou. Para ele, adiar as internas “significaria enturbar o processo eleitoral”.
Já Aguilera, do movimento cartista Honor Colorado, classificou os pedidos de suspensão como uma tentativa de “enturbar o processo” por parte de quem se considera derrotado. “O processo eleitoral paraguaio é transparente e exemplo internacional”, declarou, acrescentando que não foram apresentadas provas de vulnerabilidade das urnas eletrônicas.
Os dois deputados também rejeitaram a possibilidade de retorno ao sistema de listas sábanas, que permitiria votar em candidatos específicos sem o uso das máquinas. Centurión classificou a ideia como “retrocesso”, enquanto Aguilera afirmou que o sistema eletrônico foi criado para “destruir o Partido Colorado”, mas acabou beneficiando a legenda, que hoje tem maioria no Congresso.
O presidente do Congresso, Basilio Bachi Núñez, sugeriu a possibilidade de balotagem e reeleição presidencial, proposta que Aguilera disse estar aberto a analisar. A discussão sobre listas sábanas foi levantada na mesa diretora do Senado na segunda-feira.
O chefe de gabinete da ANR, Eduardo González, atribuiu à dissidência colorada a responsabilidade de pedir a suspensão das eleições, mas a senadora Lilian Samaniego, de Causa Republicana, nega a acusação.