O deputado colorado dissidente Roberto González (ANR-Añeteté) afirmou que parlamentares cartistas, seus satélites e liberais alinhados a Horacio Cartes vêm impedindo há anos a intervenção de municípios cujos prefeitos são suspeitos de corrupção. “Eles vêm impedindo, com qualquer desculpa, porque se fazem favores entre si. É como se eu protejo seu corrupto e você protege o meu”, declarou.
González disse que continuará pressionando para que os sete pedidos de intervenção que tramitam na Câmara dos Deputados sejam aprovados. “Há que pressionar até o último dia, senão fica a impressão de que os prefeitos podem roubar como nunca em seu último ano porque não serão interventados. Os suspeitos de corrupção devem ser perseguidos até o último dia de seu mandato”, afirmou.
O parlamentar classificou a Câmara como “caverna de delinquentes e protetores de delinquentes” e disse que a imagem do Congresso Nacional está sendo degradada. Citou o caso do ex-senador Hernán Rivas, que presidiu o Jurado de Enjuiciamiento de Magistrados com um título universitário falso, e foi protegido pelo cartismo por anos. “Era um ‘apytu’ũ lampium’ (cabeça oca) que mal iluminava”, disse González, referindo-se à falta de preparo de Rivas.
González mencionou ainda a prefeita de Valenzuela, Mirtha Fernández (PLRA), que responde a processo por lesão de confiança, e o prefeito de Puerto Casado, Hilario Adorno (ANR-HC), irmão do deputado Domingo “Mino” Adorno, já condenado pelo mesmo crime. “A ambos foi solicitada a intervenção municipal e meus colegas os encobriram. Liberais e cartistas se favoreceram mutuamente”, denunciou.
O deputado alertou para o “dano colateral” tanto ao PLRA quanto à ANR, comprometendo a chance dos partidos e reforçando a imagem de impunidade.