O Círculo Paraguaio de Médicos (CPM) emitiu um pronunciamento no qual denuncia que a crise na educação médica do país está afetando diretamente os segurados do Instituto de Previdência Social (IPS). Segundo o gremio, a presença massiva de estudantes nos hospitais está saturando serviços já submetidos a alta demanda diária.
Por meio de sua Oficina de Anticorrupção em Saúde, a organização médica lembrou que a missão principal do IPS é oferecer atenção médica e seguridade social a seus contribuintes, e que a instituição não foi criada originalmente para ser uma escola de formação universitária.
O documento aponta que o Paraguai vive um crescimento “exponencial e desordenado” na oferta do curso de Medicina, com mais de 45 mil estudantes em formação. Para cumprir suas práticas, diversas universidades públicas e privadas utilizam simultaneamente as instalações assistenciais do IPS.
Essa situação, segundo o CPM, gera constantes tensões operacionais, superlotação nas salas de consulta e desconforto tanto para pacientes quanto para seus familiares e as próprias equipes médicas de plantão. Além disso, o gremio adverte que a enorme quantidade de alunos impossibilita uma supervisão adequada por parte dos professores.
Para o CPM, o início da nova administração do IPS representa o momento ideal para conter esse quadro. “Se o IPS decidir colaborar com a formação médica nacional, essa participação deve responder à capacidade real de suas instalações, sem que signifique uma deterioração na atenção nem uma sobrecarga para os segurados”, afirma o comunicado.
O Círculo Paraguaio de Médicos propôs a criação imediata de uma mesa de trabalho institucional para analisar o problema e aplicar quatro medidas urgentes:
- Exigir a acreditação oficial: revisar todos os convênios vigentes com as universidades e suspender aqueles cursos que não contem com a aprovação de qualidade da Agência Nacional de Avaliação e Acreditação da Educação Superior (ANEAES).
- Calcular a capacidade real: determinar quantos estudantes cada hospital pode efetivamente receber, respeitando um limite razoável de alunos por paciente e por médico.
- Avaliar o idioma: verificar de forma estrita se os estudantes cumprem as normas de comunicação e manejo do idioma (conforme a Lei 7324) para garantir que possam se entender corretamente com os pacientes.
- Eliminar o “negócio” das práticas: revisar os valores que o IPS cobra das universidades pelo uso de seus hospitais. O gremio pede a eliminação progressiva desses pagamentos para evitar que o ingresso de estudantes seja visto como um negócio e que se priorize apenas a capacidade real dos centros de saúde.