O presidente do Instituto de Previsão Social (IPS), Isaías Fretes, anunciou nesta segunda-feira (18) o início da depuração do vademécum do seguro social, com a eliminação de 817 itens de insumos cirúrgicos de uma lista de 4.800. Segundo Fretes, tratam-se de materiais obsoletos cujas compras geram gastos desnecessários para o fundo de saúde, que enfrenta déficit mensal superior a US$ 20 milhões. A lista de exclusões deve aumentar, pois ainda faltam analisar 513 itens de medicamentos.
A Associação Nacional de Asegurados do IPS recebeu a medida com cautela. O presidente da entidade, Julio López, afirmou que, em princípio, a eliminação de insumos ultrapassados para substituição por tecnologias modernas é uma orientação correta, mas a desconfiança persiste devido ao histórico da previsional. “Nos preocupa e estaremos conversando com as associações de pacientes com doenças catastróficas para garantir que nenhum insumo essencial seja retirado”, declarou López.
López cobrou consequências jurídicas para as administrações anteriores. Ele lembrou que transições passadas — como as saídas dos ex-presidentes Armando Rodríguez e Vicente Bataglia — foram marcadas por denúncias de irregularidades multimilionárias detectadas pela Controladoria-Geral da República (CGR) que não resultaram em sanções firmes. “Temos o direito de duvidar que seja novamente uma espécie de barulho sem consequências”, criticou.
A associação também ratificou o pedido de declaração de estado de emergência sanitária no IPS, medida que permitiria ao Poder Executivo agilizar a compra direta de medicamentos e insumos críticos, driblando a burocracia das licitações. Uma delegação de segurados deve se apresentar nesta terça-feira (19) na Caja Central do IPS para solicitar audiência com Fretes e formalizar o repúdio ao perfil dos novos membros do Conselho de Administração, especialmente a conselheira Mirtha Arias, da Central Unitária de Trabalhadores (CUT), acusada de “silencio cúmplice” diante de irregularidades.