O juiz Humberto Otazú determinou que o ex-prefeito de Ciudad del Este, Miguel Prieto, enfrentará um julgamento oral e público no chamado Caso Tajy. A decisão judicial ocorreu após três ex-colaboradores da administração municipal admitirem os fatos que lhes foram atribuídos pela acusação. Os ex-funcionários Maggi Garinha, Nelson Segovia e Cirle Ramírez optaram pela suspensão condicional do processo, evitando assim o banco dos réus.
O fiscal Silvio Corbeta, da Unidade Especializada em Delitos Econômicos e Anticorrupção do Ministério Público, afirmou que o reconhecimento dos fatos pelos três acusados reforça a solidez da acusação. "Para nós repercute positivamente porque demonstra a solidez de nossa acusação fiscal", declarou Corbeta, que estima o prejuízo ao município em 306 milhões de guaranis. O magistrado concedeu a saída alternativa após os réus confirmarem, em audiência preliminar, que os atos de lesão de confianza ocorreram conforme descrito pela Fiscalia.
Prieto é acusado de lesão de confiança, administração em proveito próprio e associação criminosa por supostos desvios de recursos durante a pandemia de 2020. A investigação alega que ele simulou compras de alimentos, direcionou licitações para uma empresa vinculada à sua companheira e liderou uma estrutura para facilitar os atos de corrupção.
Em resposta, legisladores do partido Yo Creo, liderado por Prieto, realizaram uma coletiva de imprensa para denunciar o que chamam de "perseguição política". O senador Rubén Velázquez criticou a exclusão de uma prova audiovisual pela qual a defesa considera fundamental: um vídeo que mostraria o funcionamento de uma planta de panificados da prefeitura durante a pandemia. Velázquez argumenta que o material contradiz a acusação de que os insumos nunca foram entregues, questionando: "Se não existiram os insumos, como se elaboraram e distribuíram os pães?".
O parlamentar também contestou a mudança do julgamento para Assunção, alegando que isso dificulta a defesa, já que mais de uma centena de testemunhas teriam que se deslocar de Ciudad del Este. Ele sustentou que os ex-funcionários que admitiram os fatos não confessaram culpa, mas apenas sua participação em atos administrativos.
Paralelamente ao avanço judicial, o partido Yo Creo fortaleceu sua presença internacional com o lançamento oficial de uma coordenação na Argentina. O evento, realizado no Club Atlético Deportivo Paraguayo em Buenos Aires, foi liderado pelo senador Velázquez e buscou articular a comunidade paraguaia residente no país vizinho, com o objetivo de ampliar a participação política dos compatriotas no exterior.
