Uma família de Caaguazú denunciou ter perdido sua casa, avaliada em cerca de G. 1.500 milhões, por uma dívida de apenas G. 15.500.000 — o equivalente a 1% do valor do imóvel — em um processo judicial que se arrasta desde o ano 2000 e envolve uma trama de pagarés, transferências de propriedade e supostas irregularidades processuais.
O caso começou com um juicio ejecutivo movido pelo dirigente esportivo Cristhian María Domecq Pico contra Luvinel Antonio Torres, ambos já falecidos. A dívida original, contraída há mais de duas décadas, deu início à execução judicial, mas a família afirma que nunca foi notificada formalmente, já que a demanda indicava que a propriedade se localizava em Ypacaraí, e não em Caaguazú, onde o imóvel de fato se encontra.
Edith Gabriela Torres Martínez, filha de Luvinel, relatou que a família só tomou conhecimento do processo em 2013, quando o caso já havia chegado à fase de remate. Segundo ela, o advogado Ariel Prieto Boggino ficou adjudicado com os direitos e ações sobre a demanda e deu continuidade ao processo em substituição a Domecq Pico, que já havia morrido. Ao saber do leilão, a família ingressou com uma ação autónoma de nulidade para tentar impedir a perda da moradia.
O processo ficou paralisado por uma ação de inconstitucionalidade perante a Corte, mas, durante esse período, Prieto Boggino conseguiu transferir a propriedade para a empresa Iguazú Sociedad Anónima, que por sua vez revendeu o imóvel a um terceiro identificado como Emigidio Olmedo Portillo. Atualmente, Olmedo Portillo busca desalojar a família da residência por meio de um juicio de desalojo.
Edith Torres afirmou que os próprios herdeiros de Cristhian Domecq Pico teriam questionado o andamento do processo judicial e o fato de outro advogado ter assumido a causa. "O único que pedimos é que a Justiça revise profundamente tudo o ocorrido e garanta que nossa família possa acessar uma decisão transparente e ajustada a direito", declarou.
A família recorreu à comissão do Senado que investiga a chamada máfia dos pagarés em busca de apoio para evitar a perda definitiva do imóvel. O advogado Rubén Allende, que acompanha o caso, explicou que a ação de nulidade foi a via encontrada pela família para tentar reverter o remate considerado irregular.
